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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Comer é necessário, Vogue.

"Uma cultura obcecada por magreza feminina não é obcecada pela beleza da mulher, mas sim pela obediência feminina. A dieta é o sedativo político mais potente na história da mulher, uma população levemente louca é uma população dócil". - Naomi Wolf


O Dia Internacional Sem Dieta acontece todo seis de maio e simboliza um pouco da luta das vítimas de transtornos alimentares para se curarem. Esse dia propõe celebrar a aceitação de todos os tipos de corpos e questionar o padrão de beleza e as discriminações decorrentes dele, como a gordofobia.

Enquanto a existência dessa data especial demonstra uma preocupação com os transtornos alimentares e suas vítimas, a sociedade continua a alimentar justamente o contrário que essa data prega: uma exaltação ao corpo magro, um incentivo às dietas e obsessões com o corpo inatingíveis. E é por isso que repudiamos a publicação da Revista Vogue intitulada "Comer pra quê? Fazer jejum está na moda. Saiba mais sobre a dieta da vez".

Irresponsável, prejudicial, lamentável é o mínimo que se pode dizer sobre essa reportagem que já no título tenta vender uma dieta que questiona a necessidade de comer. Dizer que ficar sem comer está na moda é glamourizar um sintoma frequente de anorexia e banalizar essa doença que atinge diversas pessoas, principalmente mulheres jovens. A nova tendência da moda é a de sempre: incentivar a busca por um ideal de corpo inalcançável, a qualquer custo. E a Vogue aprova e publica, mas sem esquecer de adicionar um "Só faça se tiver acompanhamento médico", como se adicionar essas palavras fizesse desaparecer a irresponsabilidade da publicação. Dizer que ficar sem comer dez dias do mês é válido é fazer uma campanha contra a saúde das mulheres.

O uso da palavra jejum para designar a dieta é fácil de relacionar com a ideia de penitência. A mulher é sempre condicionada a sofrer em nome de diversas coisas: por amor e pela beleza são as principais. Incentivar dietas altamente restritivas em nome de um ideal de beleza é colaborar com a ideia de que o sacrifício, por ambos, está ligado ao que é desejável para a mulher no patriarcado. A mulher que não se sacrifica é vista como desleixada e preguiçosa, coloca-se a dor e o sofrimento como uma motivação para a buscar ainda mais o ideal. E esse estigma não atinge só mulheres necessariamente, já que a sociedade vê todos que estão acima do peso como preguiçosos e trata de culpá-los e dizer que o sacrifício deles não é suficiente, alimentando ainda mais essa cultura de ódio a diversidade de corpos e sua consequência: oito milhões de estadunidenses (sete milhões mulheres) tem algum distúrbio alimentar. Um número incerto, visto que a maior parte das vítimas desses distúrbios não buscam tratamento e assim não fazem parte das estatísticas.

Garotas veem mais de 400 propagandas por dia
que dizem como elas devem aparentar.

O corpo designado feminino é alvo de muito ódio: ele é objetificado, só valorizado se considerado bonito, o cheiro que advem dele é considerado ruim e os pêlos que o cobrem vistos como anti higiênicos. A sociedade aponta defeitos em nossos corpos o tempo todo. E esse incentivo insano à dietas é mais uma face dessa misoginia.

E a Vogue, junto com outros veículos midiáticos, diz que é necessário ser magra a qualquer custo o tempo todo. Dizem isso através de fotos e matérias que dizem que só a magra pode vestir as roupas daqueles editoriais, que apenas a magra é bonita e feliz, reportagens que incentivam dietas, propagandas "vendendo" remédios de emagrecimento como se fossem inofensivos ou dizendo "comer pra quê?". Enquanto isso mais e mais mulheres aprendem e continuam a se odiar e a pensar que o "qualquer custo" é um preço justo a se pagar. 

E o Ativismo de Sofá repudia não só essa publicação, mas todas as que concordam com essa cultura de ódio.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Eu, balzaca e feminista


Eu nem sei com qual rapidez os anos deslizaram por entre os meus dedos, mas sei que parece ter durado menos do que durou. Eu tenho 29 anos. Portanto, doente terminal. Apenas um ano de vida me resta. Ao menos é assim que o senso comum desenha mais um estereótipo sobre mim. Aos 30 anos, eu já devia ter uma família (monogâmica e heteronormativa) formada, estar casada, até poderia ter uma carreira, se também fosse mãe e esposa. A tal jornada tripla, o destino certo da mulher de 30 anos. Minha beleza, já deteriorada pelas primeiras marcas do tempo (uma ruguinha aqui, cabelo branco ali, seio caído acolá), não é mais admirada. A juventude é parte inseparável daquele padrão de beleza do qual sempre falamos aqui no blog. Aos olhos da nossa sociedade machista, a beleza é o bem mais precioso que uma mulher carrega, sem ela, não existimos. Com ela, existimos apenas para deleite masculino.

Enquanto mascus bradam por aí que a vida deles começa aos 30, a minha deveria estar no fim. Sambando na cara da sociedade, nunca me senti tão bem comigo mesma quanto agora. Ok, há problemas aqui e ali, mas somente agora começo (sim, COMEÇO) a me entender mais claramente e a amar a pessoa que sou, ou ao menos a pessoa que me tornei. Importa bem pouco para mim a tal da ruguinha. A verdadeira mudança que vejo na pessoa que sou e naquela que fui veio de dentro. E é incrível como aconteceu em pouco tempo.

Balzac, em seu famoso livro, dizia:

"Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (...) Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer". 

Sobre essa citação, como diria Raul Seixas, eu acho tudo isso um saco. Uma mulher de 30 anos não é diferente de nenhuma mulher. Ficar categorizando quem é melhor e quem é pior não faz bem a nenhuma de nós. O que nos difere não é a nossa idade, são experiências pessoais que podem ou não interferir na nossa vida individualmente e não coletivamente. E é nesse ponto que o feminismo fez a diferença na minha vida: 
Eu preciso do feminismo para que a sociedade entenda que minha vida não acaba aos 30 anos.

Aos quase 30 anos, eu olho para trás e vejo como fui tola em ter sido calma, quieta, submissa, calada, opressora comigo mesma e com outras mulheres. E nem tem tanto tempo assim. Eu costumava dizer todas aquelas coisas absurdas contra as quais eu luto atualmente. Por exemplo: Eu dizia que as mulheres deveriam se dar ao respeito, que é muito feio mulher que bebe, e, o pior de tudo, havia momentos em que eu dizia até mesmo que se a mulher apanhou, fez por merecer. A minha falta de empatia por outras mulheres resvalava num pedido de aceitação dentro dos grupos em que eu andava. Grupos predominantemente masculinos. Não é que esses assuntos fossem exaustivamente discutidos em nossos encontros, mas há um machismo que paira sobre algumas cabeças e que acaba contaminando a todos, de formas e intensidades diferentes. A objetificação é só uma das facetas desse machismo que se revela em um ou outro comentário. Aqui e ali, meio encoberto por uma conversa casual sobre qualquer coisa, não necessariamente sobre a questão de gênero. E assim, lentamente, eu me deixei levar.

Aliás, eu demorei demais para me dar conta do quanto eu fui colonizada. Eu realmente sou uma pessoa tímida, mas o meu silêncio quando estava com eles não era timidez, era só silêncio. Lembro-me que uma amiga, que a eras me conhecia, me disse naquele momento da minha vida que a minha luz tinha apagado, que eu estava sempre calada. Na época eu compreendia a verdade naquelas palavras mas não conseguia identificar quais processos me levaram à esse comportamento. E posso dizer sem sombra de dúvidas, observando o meu passado, que foi a minha aproximação com homens. Não todos, vale frisar. Há no meio desse grupo grandes amigos, mas mesmo entre as pessoas que mais amamos existe uma coisa chamada "comportamento de grupo", que por vezes se manifesta. E dentro desse comportamento de grupo masculino a opressão às mulheres (e ao feminino de forma geral) existe. 

Caminhando rumo aos 30 anos posso me congratular, sem pedantismo, de ter sido capaz de mudar minhas opiniões. Tive ajuda nisso. Mesmo assim, não é fácil conseguir soltar as amarras culturais que nos são impostas, especialmente quando sabemos que o preço a ser pago é alto. Perdi grande parte dos meus amigos, tenho medo de fazer uma entrevista de emprego e alguém consultar as redes sociais, espaço que uso para entretenimento mas também para uma militância contínua, e é claro que existem os haters.

Algumas coisas aconteceram na minha vida para que eu pudesse sair do meu estado vegetativo. Eu conheci um grupo de mulheres que embora não se definisse ainda abertamente como feministas, foram de grande importância para a construção não só do meu feminismo como também o delas. Construimos uma identidade coletivamente. Somado a isso, uma tragédia também aconteceu dentro da minha família, com uma prima minha, um caso extremo de violência que resultou na sua morte. Todas aquelas mulheres que apanharam do marido ficaram para sempre ligadas à mim por meio dessa história. Eu entendo a dor de seus familiares, eu entendo. Eu entendo agora que nada poderia justificar o que aconteceu com elas. Eu vejo a Carminha apanhar na novela e sinto um nó se formar em minha garganta. Eu queria poder dizer que mudei unicamente com a minha força de vontade, com o meu próprio discernimento, mas isso não é possível, fatores externos à mim me esbofetearam na cara até que eu entendesse o quanto era prejudicial o discurso que eu sustentava até então. 

E é por isso que eu não consigo simplesmente culpar as mulheres machistas pelas barbaridades que falam, talvez nem elas entendam o quanto aquelas palavras recaem sobre si. Às vezes não acho a paciência necessária para lidar com elas, mas não as culpo. Alguém, em algum momento, me estendeu a mão para me fazer entender o que acontecia comigo. E por diversas vezes eu rechacei as palavras que me foram ditas. Ainda urgia em mim a necessidade de aceitação de uma sociedade que, eu ainda não sabia, nunca iria me aceitar de maneira plena, unicamente porque sou mulher. Mas um dia, eu entendi e estou aqui construindo e desconstruindo o que eu fui e o que eu sou. A cada dia, a todo momento. 

Eu não sei o que será de mim após a marca dos 30, mas aos 29 eu estou muito melhor do que estava antes. Se não estou livre por completo, estou lentamente me dirigindo à minha liberdade. E estou gostando muito. Que venham os 30.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

De mulher para mulher, Machista


Essa semana mais uma propaganda da Marisa foi veiculada e pela terceira vez seguida, estamos diante de uma bela demonstração de preconceito. Só para variar, afinal isso quase nem acontece na publicidade, não é? O que realmente causa algum espanto é que uma empresa cujo slogan é "de mulher para mulher" seja machista. Aliás, já li algumas pessoas na rede satirizarem o slogan da Marisa: "De mulher para mulher, Machista". De fato, eu não poderia concordar mais. Vamos relembrar as campanhas que nos fizeram repudiar a marca, mas antes do almoço que é para não acabar botando tudo para fora, beleza?

Primeiro rolou aquela propaganda de lingerie super bacana (só que jamais), mostrando "estatísticas" sobre como está difícil conseguir homem na praça. 





A premissa é: Mulheres (hetero, claro, porque para a Marisa, lésbicas não existem) passem a competir entre si por um belíssimo exemplar de macho viril. Para a Marisa, homem só vale à pena se seguir à risca aqueles velhos estereótipos de gênero. Homem não pode gostar de bichinhos, morar com os pais, ter medo de barata... enfim. O horror, o horror. Vê se pode, homem que é homem não faz esse tipo de coisa, não é? Ai, Marisa... Que belo desserviço você faz à todas as mulheres e aos homens sugerindo esses padrões de comportamento, que só oprimem à todxs. Aqui podemos ver uma ótima palestra de Tony Porter sobre como a sociedade cria os meninos para odiar mulheres e sobre como colocamos em todos, inclusive nos homens, as algemas do patriarcado.

Antes fosse só isso... mas não foi! Começaram as críticas a essa propaganda nas redes e a agência que cometeu essa atrocidade resolveu ATACAR as consumidoras. Sim, queridos. Veja o print com seus próprios olhinhos nesse post. A rede Marisa, em sua página no Facebook, dizia ouvir as reclamações e agradecia as críticas, mas nada foi feito, a propaganda continuou sendo exibida e a agência seguiu cometendo erros inacreditáveis nas campanhas da Marisa. Porém, não vou crucificar a agência, uma vez que é o cliente que tem a palavra final. 

Pouco tempo depois, tivemos outra ótima surpresa. A Marisa achou que seria uma excelente idéia inverter os papéis de gênero, botando mulheres para assediar homens. OPA, assediar, não! Elogiar! 





Para a Marisa, assédio de rua é elogio. Veja, sabe quando um homem desconhecido aborda você na rua te chamando de gostosa, dizendo o que faria com você na cama, objetificando, desrespeitando? Pois bem, isso tudo é um grande elogio, aparentemente deveríamos ser submissas e agradecer. Mano, que ano é hoje? Marisa, acho que está faltando uma informação: os anos 50 já se foram há uns 60 anos! 

Agora, na campanha mais recente, que tal uma boa dose de gordofobia? Propaganda meramente machista é coisa do passado, a onda agora é estimular um transtorno alimentar. Sim, porque no verão só as magras são felizes. Não venham usar o argumento "saúde" por favor, porque NADA nesse comercial indica que o motivo da dieta da moça seja esse. Especialmente pelo final da propaganda quando a macharada toda olha para a mulher como se ela fosse um pedaço de carne. 



Me desculpe se não elogio a grande criatividade dessa propaganda, mas é que o R7 já fez coisa bem similar há pouquíssimo tempo, com a manchete "elas não estão preparadas para o verão". Essa idéia não é exatamente original, entende? Todo mundo já se cansou de ouvir essa babaquice. Inclusive recomendo fortemente a página de humor do Facebook que satiriza essa notícia, a "Projeto Verão 2013"

Imagem da página "Projeto Verão" no Facebook

São tantos os problemas dessa propaganda que fica difícil começar a listar. Primeiro, a perpetuação de um padrão de beleza gordofóbico. Magreza não é sinônimo de saúde, assim como obesidade não é sinônimo de doença. Algumas pesquisas bem recentes apontam que o obeso ativo é uma pessoa saudável. Pior ainda, atrelar a felicidade à manutenção da magreza. GENTE.

Depois, a própria idéia de que comer alimentos saudáveis é um sacrifício é contraproducente no sentido de garantir qualidade de alimentação, pois somos sempre estimulados a comer fora de hora, alimentos industrializados, altamente calóricos, fast food e etc.

E por fim, aquilo que me parece ser o mais grave de tudo: Retirar de nós o direito de ir e vir livremente. Como se o fato de não estar perfeitamente dentro de um padrão de beleza racista e gordofóbico fosse determinante para que não exista o direito de utilizar o espaço público. E sabe porque isso é tão ruim? Porque tem muita gente por aí que realmente pensa assim, a Carol Marques pontuou muito bem:



Lugar onde eram preparadas as
refeições para funcionários de oficina
de confecção da Marisa
Já comprei roupas na Marisa e acho que a qualidade é bem abaixo da média. Além disso, não sei se todos estão a par, mas a empresa já foi denunciada por ligação com o trabalho análogo ao trabalho escravo (com indícios de tráfico de pessoas) em algumas de suas oficinas de produção. Ao menos é o que informa essa notícia aqui. Foi realizado um acordo em 2007, chamado TAC, Termo de Ajustamento de Conduta. Contudo, recentemente, doída pelo dano que fez à própria imagem, a Marisa recebeu uma punição pela contestação que fez sobre a legalidade da Lista suja do Ministério do Trabalho . Falando muito claramente: A "lista suja" só prejudica o empregador. E é claro que no caso da Marisa, o empregador é uma grande rede de confecção. É quase uma carteirada, sabe? "Quem é o Ministério do Trabalho para decidir proceder de forma a prejudicar grandes empresas em prol de condições de trabalho justas para os funcionários?". Eu é que nunca mais vou de Marisa. Não quero nem de graça.

Então, recapitulando, machista, heteronormativa, gordofóbica e exploradora. O que mais está faltando, Marisa?

terça-feira, 5 de junho de 2012

Menstruação: autoestima e ódio ao feminino.


There will be blood - Foto de Emma Arvida Bystrom
            O ensaio fotográfico publicado originalmente na revista canadense Vice, nomeado de "There will be blood" foi republicado no Brasil no portal da yahoo e em outras mídias. A aceitação das fotos foi péssima.     
             Nojento, desnecessário, nada sexy e horrível foram palavras utilizadas pelo maioria do público para descrever as fotos. Tanto homens, quanto mulheres manifestaram toda essa ojeriza pela menstruação. Os comentários inclusive ofendiam as modelos fotografadas, chamando-as de vadias nojentas e falando até que elas envergonhavam a espécie. O choque foi grande, afinal, a misoginia no ódio ao sangue de menstruação não é tão clara, mas ela se mostra sem disfarces nesse comentário. Para a comentarista, uma mulher que exibe sua menstruação é menos mulher, é uma mulher sem valor, é nojenta e não esconde envergonhada o "seu feminino" e por isso merece ser xingada dessa forma.

         O "nada sexy" merece um parágrafo especial porque mostra como a mulher é vista como enfeite, ela só é bem aceita pela mídia e pela sociedade se estiver magra, maquiada, photoshopada, enfim, não natural. A mulher como ela é, menstruada, com dias bons e dias ruins, sem photoshop é criticada justamente por sair dessa função que o patriarcado a colocou, que é a de objeto, enfeite, troféu. Passiva e bela, sendo admirada e servindo ao deleite masculino heterossexual. A mulher menstruada não enfeita, ela choca. Ela não está ai pra ser admirada, afinal, ela é natural, ela é humana. A mulher vista como sujeito, a mulher vista como ser humano ainda choca. E isso assusta.

Menstrala - Pintura de Vanessa Tiegs
       A depreciação pela menstruação é correlata ao ódio pelo que é designado como corpo feminino e também a diversos problemas de autoestima, afinal, como haver aceitação do corpo se as mulheres ainda vêem a menstruação como algo sujo, feio e nojento? Ver seu organismo dessa forma faz mal, é odiar uma parte de si. Odiar a menstruação, escondê-la, evitar falar nela contribui para a repressão sexual feminina e para a falta de conhecimento do próprio corpo. Esconder e silenciar contribui também para retirar das mãos das mulheres a própria sexualidade e o direito ao próprio corpo, porque o medo do que o outro vai achar, o medo de ser nojenta, suja e feia coloca a mulher numa posição de objeto do patriarcado. 

A misoginia em relação à menstruação coloca o corpo designado ao nascer como feminino pra servir aos outros e não a si mesma e prejudica a autoestima, por criar inseguranças que impedem que a pessoa exerça sua sexualidade e conheça o próprio corpo. Ver a menstruação como nojenta, é ver também a vagina, o útero, o ovário e todo o sistema reprodutor definido como feminino como algo a ser "limpado" ou escondido. A insegurança feminina a respeito do cheiro da vagina, bem como da depilação íntima como parte da higiene e até mesmo da "feiura" da vagina são componentes do ódio ao feminino e do ódio à menstruação. E chegamos ao "nada sexy" porque se mostrar natural, se mostrar humana, não tem aceitação, porque é sair do papel que o patriarcado nos colocou, que é de passiva, submissa e objeto.

Observação: nem toda mulher menstrua e nem toda pessoa que menstrua é mulher. Entenda melhor lendo textos no "Transfeminismo"

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Guestpost: Coletor menstrual: prós e contras

Esse texto faz parte da Blogagem Coletiva 2@ Vermelha, um evento que surgiu com o objetivo de nos colocar para falar sobre menstruação, esse tema que pode ser símbolo, tabu, orgulho, vergonha, dor, alegria e muitas outras coisas dependendo da forma como é vivido por cada uma de nós. A leitora Natália Schmidt preparou um guestpost super bacana para nós contando a sua experiência com o coletor menstrual. Afinal, falar de menstruação é também questionar tudo o que está ligado a ela, desde a TPM até os nossos absorventes.

Coletor menstrual, para quem não conhece, é um recipiente (um “copinho”) reutilizável de material maleável (geralmente silicone) que serve para colher a menstruação. Funciona assim: você coloca no canal vaginal e ele se prende por meio de pressão nas paredes vaginais. Depois, é só retirar, esvaziar no vaso sanitário ou na pia (ou ainda, se quiser, diluir o sangue na água e regar as plantas !) e colocar de novo! Depois do ciclo menstrual, deve ser esterilizado e ele estará pronto para ser usado novamente. Hoje, existem várias marcas que comercializam (destaque para MissCup, que é a única marca brasileira), mas até um tempo atrás não era assim, e além de tudo, era difícil de se achar.

 Há 2 anos, fiquei sabendo do coletor menstrual pela minha irmã, li sobre e achei super interessante o fato de ser reutilizável e portanto ecológico (sempre me incomodei pela quantidade de absorventes que vai para o lixo). Além disso, é livre de pesticidas e outros produtos químicos dos absorventes tradicionais. Decidi experimentar. Na primeira menstruação, achei um pouco desconfortável na hora de inserir. Para colocar: a gente dobra o “copinho” e coloca, chegando na posição correta, é só soltar que ele desdobra e fica preso por pressão na parede vaginal. Por causa da pressão, senti um pouco de dor. Para tirar, mesma coisa. E vazava, bastante. Além disso, me incomodava com o “cabinho” do coletor em alguns movimentos. Fui reclamar com a minha irmã e me surpreendi quando ela me disse que para ela, tinha sido ótimo, e ela amou.
            Pesquisando, descobri que só vaza quando colocado da maneira errada. E que é preciso praticar até não vazar. Além disso, lendo no manual de instruções, foi muito alívio quando descobri que pode (e deve, se te incomoda) cortar o “cabinho” do coletor. O “cabinho” está lá para facilitar o manuseio, para dar mais segurança para quem ainda está insegura, mas se incomoda, deve ser cortado. Decidi então dar uma segunda chance.
            Na segunda vez, acertei o pé. Consegui colocar direito, nos primeiro dias, vazou um pouquinho, e depois não vazou mais. E o corte do “cabinho” foi realmente um alívio.
            Depois disso, foi “amor a segunda vista”! Sou assumidamente apaixonada pelo meu coletor menstrual, porque conforme o passar do tempo, eu fui me adaptando melhor, e percebi que ele foi uma das melhores invenções dos últimos tempos... rs
            Entre os pontos positivos, o fato dele ser muito mais ecológico que os absorventes tradicionais ganha destaque. Mas se fosse só por esse ponto, nós poderíamos adotar os absorventes de pano, não é mesmo ? Acontece que o coletor menstrual é também muitíssimo confortável. Depois do período de adaptação – e salvo raras exceções -, você não vai nem sentir mais, garanto  (as vezes, eu esqueço que estou menstruada). Pode ser praticado qualquer atividade física durante o uso, inclusive nadar. Você pode ficar, teoricamente, de 4 a 8 horas sem esvaziar, mas eu já cheguei a ficar 12 (!) horas tranquilamente (depende do fluxo). Além disso, é mais econômico. O custo de um coletor menstrual da marca Misscup, segundo o site, é de R$ 75,00, e pode durar de 2 a 10 anos (depende de alguns fatores, como a frequência de uso). Podemos gastar em torno de R$ 200,00 em absorventes descartáveis por ano!
            Os outros pontos positivos menos óbvios, mas não menos importantes: nessa cultura de desvalorização de tudo que diz respeito ao corpo das mulheres, e inclusive – e especialmente - a menstruação, utilizar o coletor menstrual é uma ótima maneira de quebrar mitos e conhecer melhor o seu ciclo. Eu, pessoalmente, amo menstruar, acho lindo, e o coletor menstrual me permitiu um contato muito mais profundo com meu ciclo. É muito legal ver a quantidade do fluxo – e perceber que não é uma hemorragia descontrolada, afinal -, perceber que aquele odor desagradável e forte da menstruação nada mais é que o absorvente comum abafando o local, entre outras coisas. Aliás, o coletor menstrual é também mais higiênico, menos propenso a desenvolvimento de alergias e de algumas pragas, como a candidíase. Além do contato com o próprio ciclo, o manuseio do coletor estimula o conhecimento do próprio corpo – o que infelizmente, é tão negligenciado na nossa sociedade.
            O único ponto negativo de acordo com a minha experiência é que esvaziar em banheiros públicos pode ser uma experiência não muito bacana. Eu sou desastrada por natureza, e dependendo da situação do banheiro público, eu não consigo retirar, esvaziar e colocar novamente sem me sujar. Para tirar e colocar, ainda sinto cólica por causa da pressão, mas não é nada que me incomode tanto.
            Enfim, sou uma mulher assumidamente apaixonada pelo meu coletor!
            Eu uso da marca Mooncup. No site das marcas Mooncup e Misscup tem mais informações e depoimentos. E no site do MissCup também tem uma pesquisa legal sobre a opinião das consumidoras. Vale a pena pesquisar e experimentar! :-)

Observaçãonem toda mulher menstrua e nem toda pessoa que menstrua é mulher.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Menstruação é tabu?

'Menstruate with pride', oil on canvas, 215 x 275 cm - Sarah Maple

           Quem nunca ouviu a frase "Fala mais baixo, ninguém precisa saber que você está naqueles dias" ao pedir um absorvente pra colega de sala? Durante meu ensino fundamental, depois de passar muito pelo "Shiiiiiiiiu, não fale isso alto, você não tem vergonha?", eu descobri uma série de apelidos que o período menstrual tinha, por exemplo, "Tô de papai noel", "Tô de chico", "Tô naqueles dias", "Estou com visitas" e "Sinal vermelho", entre outros, todos eles com o fim de esconder a menstruação ou colocá-la com um nome "menos nojento". Os mitos que envolvem a menstruação são vários, quem nunca ouviu que mulher menstruada não pode arrumar a cama porque quem deitará naquela cama ficará doente? E não podemos esquecer dos famosos "mulher menstruada não pode fazer bolo, porque impede que ele cresça" e do "nesses dias não pode lavar o cabelo não, porque o sangue vai pra cabeça". Além desses mitos, há também o mito de que a mulher menstruada tem que ficar de repouso durante o período, e também que a mulher deve evitar de sair de casa "nesses dias". É fácil perceber como o corpo designado como feminino e a menstruação são cercados de mitos de toda espécie. Os últimos dois mitos citados tem um caráter de esconder ainda mais a mulher, além disso é possível refletir que durante o período menstrual as regras para as mulheres ficam ainda mais rígidas, como se a menstruação fosse um castigo.

  O período menstrual, na sociedade patriarcal, é considerado um período de purificação da mulher, a menstruação é vista como algum impuro, sujo, assim como a mulher, que ao mesmo tempo em que é glorificada pela maternidade, é odiada em todas as outras formas. As mulheres são consideradas desde a Antiguidade perigosas, misteriosas, frias e o tabu da menstruação cresce baseando-se num suposto lado obscuro feminino, que supostamente é expelido durante a menstruação, e essa ideia é que fomenta a Bíblia condenar o contato da mulher menstruada com os demais familiares, lugares e coisas consideradas santas, por considerar o sangue impuro. 

            E a sociedade contemporânea compactua com esse pensamento de diversas formas, a menstruação é vista como algo a ser escondido, algo sujo, imundo e que não deve ser falado, principalmente com homens cis, porque “eles não precisam saber dessas nojeiras”. O nojo da menstruação é o nojo do que é considerado feminino, tudo que faz parte do ciclo menstrual, como o sangue, a vagina, o útero e os ovários são considerados imundos. E a mesma lógica do nojo da menstruação se aplica ao nojo da vagina, o constante estímulo comercial de venda de absorventes diários que teriam a função de despistar o cheiro da vagina, os sabonetes íntimos, a vinculação da depilação com a higiene são formas de esconder e despistar o feminino. E o ódio ao nosso corpo está muito vinculado a esse tabu, afinal, a vagina é considerada feia, incompleta, com cheiros desagradáveis e tem contato com o sangue de menstruação, com tantos julgamentos a respeito do que é bonito, feio, bom e mau, conhecer nosso corpo não é nem cogitado.

            O tabu da menstruação, a misoginia e o tabu de sexo estão interligados. A menstruação na nossa sociedade simboliza que o que vem das mulheres é impuro, a misoginia está na vinculação do que é feminino ao que cheira mal, é feio, nojento, impuro e por fim, o tabu do sexo. O sexo com uma mulher menstruada é considerado um "pecado" em diversas culturas, na maioria delas, os homens que tivessem contato com o sangue de menstruação também seriam considerados impuros, como as mulheres. Há diversos mitos sobre o tema, um deles diz que as mulheres que engravidassem durante o período menstrual teriam filhos-monstros. Em outras culturas simplesmente é dito que a gravidez ocasionada pelo sexo com contato com sangue de menstruação originaria apenas filhas mulheres e por isso deveria ser evitado. O tabu do sexo vai além do sexo com menstruação. O estímulo de esconder tudo que é vinculado ao sistema reprodutor feminino faz parte da própria repressão sexual feminina, visto que esconder o ciclo menstrual seria reforçar que o desejo sexual deve ser escondido. O sexo e o desejo são considerados pertencentes ao homem cis, enquanto a mulher deve esconder seu desejo até aparentar não ter nenhum.

            Colocar o tema “menstruação” como algo exclusivamente pertencente ao feminino, evitar tocar no assunto perto de homens, é sintomático. O corpo da mulher não é dela, o corpo pertence ao que o homem pensa sobre ele e para haver a libertação é necessário falar sobre, parar de esconder e se envergonhar do próprio corpo. Falar sobre menstruação, é tomar para si o desejo, o tesão e sua autonomia. 

Observação: nem todas mulheres menstruam e não somente mulheres menstruam, entenda melhor lendo textos no "Transfeminismo". Os mitos sobre a menstruação além de misóginos e machistas, são também cissexistas.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Start a revolution, stop hating your body!


Comece uma revolução, pare de odiar seu corpo.
I am beautiful no matter what they say
Words can't bring me down
I am beautiful in every single way 
Yes, words can't bring me down 
So don't you bring me down today”

O senso comum diz que toda mulher é carente, insegura e que precisa ouvir elogios durante todo o tempo. O mesmo senso comum diz que amizades femininas são cheias de traição, competição e falsidade. Ele também brada que mulheres são fúteis e só se importam com aparência, status e moda. E o senso comum não se esquece de generalizar também os homens, todos traem, todos mentem, todos sacaneam, todos se interessam apenas pela beleza, pelo corpo da mulher, enquanto toda mulher se interessa em tudo que o homem tem a oferecer, seja dinheiro, poder, e contrariando alguns,até mesmo carinho
O senso comum trata os relacionamentos amorosos heterossexuais como um eterno jogo de trocas, poder, sedução e interesse, onde a mulher se torna objeto sexual do homem em busca de segurança, carinho e completude. Como ter autoestima vivendo em uma sociedade onde a mulher sempre acaba por ser reduzida apenas a um corpo sem autonomia? Um corpo pronto para servir? Onde a mulher precisa de alguém pra enfim se sentir completa?
 Somos todxs bombardeadxs com imagens de um padrão de beleza só atingível através de programas de modificação de imagens, cirurgias plásticas e dietas quase humanamente impossíveis de serem seguidas. O padrão de beleza é a origem de diversas insatisfações e inseguranças, especialmente femininas.

Feminist Ryan Gosling
A veiculação de imagens femininas na mídia sempre observa o fator da beleza, ou melhor, da adequação, mesmo que mínima, ao padrão de beleza vigente. As demais características da mulher ficam em segundo plano ou são ignoradas. Tanto reducionismo faz a mulher comum se sentir inferior a cada propaganda, a cada comentário elogioso masculino e heterossexual a respeito das mulheres dentro do padrão de beleza. O machismo nos reduz a eternas insatisfeitas. O nosso corpo não é nosso, é de toda uma sociedade que aponta defeitos e o que tá até bom, mas pode mudar, de forma, que nunca estamos livres de possíveis intervenções, opiniões e ofensas.
A incessante busca pela beleza, pela jovialidade é estimulada desde a infância, meninas brincam de maquiagem, de usar salto alto e os adultos aplaudem, pois essas meninas já tão novas valorizam tanto a “feminilidade”. Um dos brinquedos mais famosos para meninas é a boneca Barbie, que reforça ainda mais o padrão de beleza: loira, magra, pernas longas, peituda, cintura fina, traços delicados. A opressão estética surge pras meninas assim que nascem, por exemplo, a perfuração da orelha para usar brinquinhos e os lacinhos de cabelo, e continuam através da constante observação da imagem "feminina" na mídia e na sociedade. Concursos de beleza, com destaque, os infantis, ajudam a alimentar ainda mais as frustrações e sonhos que se relacionam apenas a conquista do corpo perfeito e a valorização da beleza. A importância dada à imagem feminina, desde muito cedo, faz parte do triste processo da adultização das meninas. Meninas usam maquiagem, salto alto e se vestem como adultas, importam discursos de competição feminina e inveja da beleza e já tão cedo se aprisionam na busca ao padrão de beleza e também nos papéis de gênero impostos pelo patriarcado e deixam de lado a liberdade de correr, de brincar, de serem autênticas e, consequentemente, perdem a autoestima ao fracassarem na busca da perfeição.

Brincar de maquiagem, com roupas e penteados não é necessariamente a fonte dessa adultização e da "escravidão" pelo padrão de beleza, essas brincadeiras são lúdicas, pura fantasia e proibi-las fere a autonomia da criança. Enfeitar não é sempre negativo, o que é negativo é vincular a vaidade e os enfeites ao "feminino" e excluir os demais da possibilidade brincar com as cores, se pintar, a liberdade de ser e criar não é necessariamente afirmar que há uma obrigatoriedade ou necessidade de usar a maquiagem para corrigir defeitos, esconder características, aparentar mais jovem. O discurso da obrigatoriedade do ser sempre linda e da maquiagem como acessório essencial para a mulher é da sociedade, se reflete na mídia, no comportamento das pessoas, ele não se origina nas brincadeiras infantis.
A vaidade é considerada uma característica essencialmente "feminina", e o excesso de cuidados e preocupações com a beleza nunca é visto como uma desordem. E é visível como essa busca em se enquadrar no padrão de beleza pode causar problemas sérios, como depressão, o desenvolvimento de compulsões alimentares, o excesso de intervenções cirúrgicas, entre outros.

Beth Ditto
Essa cobrança da mulher sempre ser bonita, "feminina" distorce a imagem que a mulher tem de si mesma. O bonito, segundo o padrão de beleza, é inatingível e frustrante. Mesmo as mulheres que trabalham com a beleza, como modelos e atrizes, que são tão desejadas e admiradas pela beleza, se tornam escravas do espelho, da insegurança, das dietas e até mesmo de intervenções cirúrgicas.
O feminismo ao questionar a imposição social que a mulher deve sempre ser bela (a.k.a dentro dos padrões de beleza) e o que é belo, ao questionar a idéia da mulher como objeto, ao questionar a vida da mulher girar em torno de agradar os homens, me fez perceber o quanto o padrão de beleza e as minhas preocupações com ele me reduziam a um mero enfeite. Todas as minhas insatisfações com meu corpo, minha altura, meu cabelo e meu rosto que tanto me impediam de gostar de mim como eu sou e me fizeram sofrer, me sentir mal, através da minha aproximação com o feminismo, diminuíram.
Eu me senti por anos, um monstro, feia, horrorosa, pequena demais, com o nariz pouco delicado, o cabelo desgrenhado... Hoje, apesar das ainda existentes dificuldades de gostar de mim, me sinto, a maior parte do tempo, bonita em minha completude, com minhas experiências, minhas cicatrizes, meus pêlos, meus traços. É um exercício diário tentar não me importar em ser mais magra, mais alta, mais peituda, com a pele sempre bonita, uniforme e corada e em ter o cabelo liso, sedoso e bem cuidado. Mas eu tento e às vezes consigo, porque já não me importa tanto ser "feminina", ser valorizada por ser bonita pra alguém, eu não vejo ser bonita como uma prioridade. Amar a si mesma é revolucionar, é se sentir bem com a sua imagem refletida pelo espelho, é negar as insatisfações com a nossa imagem que são impostas pelo padrão estético e reforçadas pela sociedade e a mídia, é dizer "não" para o que a mídia acha bom ou não no seu corpo, enfim, é ser realmente dona do seu corpo, dona o suficiente para ser dona da sua autoestima.

Todo corpo é bonito.
Através de diversos questionamentos feministas, começou a desconstrução do que é "feminino", belo e importante dentro de mim e minha autoestima vai se refazendo, se recuperando de julgamentos, zoações a respeito da minha altura, dos meus traços, do meu corpo e do meu comportamento e assim eu tomo de volta pra mim a minha autonomia. O feminismo me fez ver que a liberdade está em questionar o que é ser belo e a necessidade disso e assim me permite ser livre para ser, desejar, sentir, revolucionar, me pintar, subverter e assim me amar.