Mostrando postagens com marcador Politicamente Incorreto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Politicamente Incorreto. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 17 de abril de 2012

"É só uma piada"

Piadas de estupro não são engraçadas.
Já há algum tempo tem causado polêmica a trupe daqueles que se autointitulam “politicamente incorretos” (nome que ainda busco compreender, já que qual é a novidade em ser politicamente incorreto? Não é assim que grande parte das pessoas sempre foram?) com suas belas piadas destinadas as mais diversas minorias políticas.

Mas não é deles que eu vim falar não. Esse povo que está realmente interessado em fazer piada para desmerecer, ridicularizar, menosprezar as pessoas não me interessa nem um pouco. Sigo achando que o lugar deles é na cadeia e ponto. Vim falar de gente mais perto da gente. De gente como um amigo seu, ou mesmo como você quando compartilha algo, fala algo, ri de algo na vida, nas redes sociais, enfim.

Também não pretendo ficar por muito tempo aqui repetindo sobre o poder do discurso. E, sim, a piada é um discurso. É um discurso com o objetivo de ironizar, brincar, despertar o interesse em rir do outro. Sendo assim, tem suas particularidades, já que o objetivo é diferente de um discurso como esse, deste texto, por exemplo, mas de qualquer forma não deixa de ser produtor ou reprodutor de conteúdo.

Portanto não é “só uma piada”. Não é por algo ter caráter de piada que o discurso utilizado ali não possa ser analisado de forma mais profunda. Não é por algo objetivar ser engraçado que está desprovido de contexto social, muito pelo contrário.

Mas voltando ao foco: E aí quando um grupo de pessoas se sente ofendido com determinada piada dizem apenas que não tem senso de humor, que não sabem aonde foram ofensivos e que “tem até amigos que são” (essa é ótima). O “direito de resposta” costuma demonstrar um lado mais obscuro da pessoa do que a própria piada em si.
Sim, meu querido, porque se todo um grupo de pessoas se sente ofendido com determinada piada feita por você, algo tá errado nisso daí. Uma dica: Se você em algum momento da vida foi chamadx de preconceituosx, provavelmente naquele momento era exatamente isso que você estava sendo.

 Quando existe resistência com relação a uma piada que você fez eu te digo: Em 80% dos casos o que acontece é que para aquela pessoa aquilo não é “só” nada. É real. Não é engraçado quando você é a pessoa que tem medo de andar na rua e ter seu corpo violado, não é engraçado quando você é o gay que já foi expulso de casa, não é engraçado quando você é o negro que já foi humilhantemente não apenas chamado, mas tratado como macaco, não é engraçado quando você é a transsexual que é chamada no masculino todos os dias. Para você pode ser super engraçado, porque não tem nada a ver com a sua realidade. Mas não é nada divertido quando é vivido na pele, dia-a-dia.



Portanto aqui vai um guia básico de etiqueta: Quando uma pessoa, ou um grupo de pessoas reclama por se sentir ofendida com uma piada sua, peça desculpas. É simples assim. Depois pergunte, tente pesquisar, analise porque daquilo. Mas a princípio, apenas desculpe-se. Porque, torno a repetir: Provavelmente você está realmente sendo ofensivo. E, bem, sinto te informar, mas contra-atacar com mais ofensas como “vocês não tem senso de humor”, “para, é só uma piada” não acrescenta nada em sua vida e só realça a ofensa anterior (além de comprovar sua ignorância).

Todos nós temos preconceitos enraizados. Entretanto, vai de cada um saber se quer evoluir ou se prefere continuar estagnado em u ma mentalidade retrógrada. Por vezes o próprio desconhecimento de causa é nosso erro e mudar isso é bem simples, basta se preocupar em ouvir o outro lado.

E para os que dizem que "é impossível fazer humor sem ofender" (what?) aqui, aqui, aqui, aqui e aqui estão cinco exemplos de coisas que me fazem rir muito de forma bem simples, sem precisar ofender nenhum grupo social. E para os ironia lovers recomendo fortemente este e este tumblrs.