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| Piadas de estupro não são engraçadas. |
Já
há algum tempo tem causado polêmica a trupe daqueles que se autointitulam
“politicamente incorretos” (nome que ainda busco compreender, já que qual é a
novidade em ser politicamente incorreto? Não é assim que grande parte das
pessoas sempre foram?) com suas belas piadas destinadas as mais diversas
minorias políticas.
Mas não é
deles que eu vim falar não. Esse povo que está realmente interessado em fazer
piada para desmerecer, ridicularizar, menosprezar as pessoas não me interessa
nem um pouco. Sigo achando que o lugar deles é na cadeia e ponto. Vim falar de
gente mais perto da gente. De gente como um amigo seu, ou mesmo como você
quando compartilha algo, fala algo, ri de algo na vida, nas redes sociais,
enfim.
Também
não pretendo ficar por muito tempo aqui repetindo sobre o poder
do discurso. E, sim, a piada é um discurso. É um discurso com o objetivo de
ironizar, brincar, despertar o interesse em rir do outro. Sendo assim, tem suas
particularidades, já que o objetivo é diferente de um discurso como esse, deste
texto, por exemplo, mas de qualquer forma não deixa de ser produtor ou
reprodutor de conteúdo.
Portanto não é “só uma piada”. Não é por algo ter caráter de
piada que o discurso utilizado ali não possa ser analisado de forma mais
profunda. Não é por algo objetivar ser engraçado que está desprovido de
contexto social, muito pelo contrário.
Mas voltando ao foco: E aí quando um grupo de pessoas se
sente ofendido com determinada piada dizem apenas que não tem senso de humor,
que não sabem aonde foram ofensivos e que “tem até amigos que são” (essa é
ótima). O “direito de resposta” costuma demonstrar um lado mais obscuro da
pessoa do que a própria piada em si.
Sim, meu querido, porque se todo um grupo de pessoas se sente
ofendido com determinada piada feita por você, algo tá errado nisso daí. Uma
dica: Se você em algum momento da vida foi chamadx de preconceituosx,
provavelmente naquele momento era exatamente isso que você estava sendo.
Portanto
aqui vai um guia básico de etiqueta: Quando uma pessoa, ou um grupo de pessoas
reclama por se sentir ofendida com uma piada sua, peça desculpas. É simples
assim. Depois pergunte, tente pesquisar, analise porque daquilo. Mas a
princípio, apenas desculpe-se. Porque, torno a repetir: Provavelmente você está
realmente sendo ofensivo. E, bem, sinto te informar, mas contra-atacar com mais
ofensas como “vocês não tem senso de humor”, “para, é só uma piada” não
acrescenta nada em sua vida e só realça a ofensa anterior (além de comprovar
sua ignorância).
Todos nós
temos preconceitos enraizados. Entretanto, vai de cada um saber se quer evoluir
ou se prefere continuar estagnado em u ma mentalidade retrógrada. Por vezes o
próprio desconhecimento de causa é nosso erro e mudar isso é bem simples, basta
se preocupar em ouvir o outro lado.


