segunda-feira, 14 de maio de 2012

Dialética da Popozuda: Linguagem, Poder, Sexualidade


"Então mama, pega no meu grelo e mama
Me chama de piranha na cama
Minha xota quer gozar, quero dar, quero te dar"


Aviso axs navegantes: este é um post pró-Valesca Popozuda. Se você é do tipo que não suporta a moça porque _______ (insira aqui algum juízo de valor), eu desaconselho fortemente a leitura deste texto. Ou não, já que o debate saudável é sempre bem-vindo :-)


Já perdi a conta das vezes que li e ouvi coisas do tipo: “as mulheres lutaram tanto pela liberdade e agora vem um lixo humano desses e faz uma COISA assim” (tudo sic, com grifos apavorados meus). E a polêmica da vez ficou por conta do novo hit da Valesca, Mama, que conta com mais de 1 milhão de visualizações no iutúbi (trata-se de um pagode “proibidão” feito em parceria com Mr. Catra). 


Pois bem. Não demorou muito e vimos o fatídico comentário circulando nas redes sociais, todo envergonhadinho da “liberdade” concedida às mulheres. E sinceramente? Esse comentário e suas variantes só evidenciam o quanto a luta ainda é necessária. Dá muita preguiça de explicar, mas não tem outro jeito: em uma sociedade patriarcal como a nossa, a noção de moralidade também se dá em termos de opressão. E não é preciso uma bola de cristal para adivinhar que, ainda que a sociedade esteja em pleno avanço e as mulheres tenham conquistado um espaço público cada vez maior, ainda falta muito para que a sexualidade feminina não assuste.

Pensemos um pouco na sexualidade humana como socialmente construída. Por muito tempo, o silêncio a respeito era a palavra de ordem. Foi assim até que um dia os cientistas, do alto de seus aventais, resolveram dar caráter acadêmico a tudo o que uma outra galera, a de batinas, dizia que era “normal”. Estava posta a Scientia Sexualis que, segundo Foucault, foi a maneira ocidental de discursivizar (e por que não controlar?) o sexo. Falar de sexo passou a ser necessário e até desejável. Porém, a sexualidade feminina continuou a ser paulatinamente ignorada, tratada sempre como mera coadjuvante no processo de dar prazer ao homem. 

E por que eu tô fazendo toda essa digressão? Pra explicar que não, você não é obrigadx a gostar da Valesca. Você não precisa adicionar o funk à sua playlist. Mas não custa parar para refletir que, para além da dicotomia liberdade x libertinagem, é preciso pensar nos processos de poder que normatizam a gente, inclusive sexualmente. E isso inclui uma séria análise de quais discursos estamos defendendo. Porque, a partir do momento em que a nós, meros mortais, foi dado o direito de colocar o sexo em palavras, algum poder nos foi sim conferido. E uma Valesca falando abertamente de sexo, de forma crua e não-floreada, está se utilizando desse poder e mostrando à sociedade que uma mulher também pode sentir prazer.

Com tudo isso, chegamos noutro ponto que precisa ser discutido aqui: a questão social que envolve as músicas da Valesca, incluindo a música Mama. Há um incômodo com o fato de a Valesca se colocar como uma mulher que tem vida sexual ativa e diz isso abertamente? Sim. Porém, a bronca toda não se restringe a isso. O que incomodou e ultrajou até a galere de bom nível intelectual foi mesmo a linguagem utilizada. Porque a linguagem é popular. E a elite tem pavor de tudo que considera “vulgar”, especialmente em se tratando de sexo.

Dessa forma, se considerarmos todo o processo que levou o ocidentinho a transitar de uma situação de total proibição de verbalizar o sexo, para a total transformação deste em discurso - primeiramente através das confissões dadas aos padres e mais adiante em forma de “receitas” dadas por especialistas para “melhorar” e, porque não, regular o ato sexual - veremos que ainda estamos muito presos e guess what? A prisão se dá, essencialmente, pela linguagem. Em outras palavras, o que ficou muito evidente nessa discussão toda é que a elite ainda sente a necessidade de sutileza, de trejeitos para falar de sexo, se negando a aceitar que tem cu, buceta e pau tanto quanto a classe popular. O sexo explícito dessa forma dá a impressão de algo sujo, bem distante da realidade de uma elite que quer fazer sexo com álcool gel. 


Portanto, Valesca e suas variantes são uma afronta à lógica vigente, que determina o que tem ou não valor artístico, segundo sua própria visão do que seria adequado a cada gênero. Lembremos que os Mamonas Assassinas falaram coisas como “sabão crucru, não deixa os cabelos do saco enrolar com o do cu” e não foram julgados. A Valesca fala da própria sexualidade utilizando palavras similares e é julgada. Assim como uma Rihanna que toca a própria vagina em seus clipes e, ao contrário do que ocorria com um Michael Jackson ou Axl Rose, é execrada pelos moralistas de plantão. A própria Letícia (cem homens) tem um exército de trolls prontos a odiá-la pelo simples fato de ter o controle da própria sexualidade e verbalizar isso. 

E o debate não se esgota aqui. Ainda há muito o que ser falado. Há, inclusive, que se pensar no fato de a Valesca ser ou não feminista (já adiantamos que sim, ela é feminista, e isso independe dela se auto-intitular, ter consciência ou não disso). Porém, como o post está assaz extenso, deixemos o debate feminista para outra feita. Beijos Valescanos! 

* Post escrito por Flávia Simas com colaboração de Paula Mariá, Gizelli, Elisa e Thaís Campolina. 

122 comentários:

  1. Esse texto da Flávia, a discussão no grupo e etc me fez repensar uma série de coisas, porque pra mim a objetificação do corpo da mulher é algo bem complicado. Porque numa sociedade como a nossa, que oprime de tantas formas, coloca a exibição do corpo feminino como uma forma de buscar a aprovação masculina.
    A sexualidade feminina é super influenciada pela dominação masculina, nosso orgasmo é tomado pela dominação como uma forma do homem mostrar que é capaz de te fazer gozar.
    Mas discutir isso sem dar voz pras mulheres é inútil! Discutir isso sem falar de masturbação, consentimento, prazer e da dicotomia santas e putas e de fixar no imaginário social que mulheres também tem desejo e tesão é discutir com apenas uma parcela da sociedade, uma parcela que tem acesso aos livros, às bibliotecas, que faz mestrado...

    Mesmo que a sexualidade passe pelo rol da aceitação masculina hoje, mesmo que as roupas curtas sejam bem aceitas pelos homens como "exibição da carne", a liberdade sexual feminina é algo que choca e se choca é porque de alguma forma é transgressora.

    E a Valesca e as outras funkeiras chocam porque elas falam que gozam.

    Pode ser claro pra mim que que não basta liberdade sexual pra haver uma emancipação feminina real, pode ser até uma visão ingênua do patriarcardo, porque a gente sabe que o patriarcado pega essas mudanças e as transforma como forma de opressão, mas é fato que é uma tentativa de transgressão, é uma forma de lutar contra a dicotomia santas e putas, é uma forma de empoderar as mulheres no campo da sexualidade, dar direito de ter tesão, por exemplo.

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    1. Tobias Ricardo Otis Lübeck Lima27 de maio de 2012 19:56

      A Marta Suplicy também goza. Relaxa e goza, mais especificamente.

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  2. E o fato dela tentar ler esse post e não entender bolhufas é lindo, não é?

    Não nego o crescente espaço que nós mulheres estamos atingindo ao longo dos anos, principalmente no quesito sexualidade, mas daí assumir e propagar o assunto de forma esdrúxula e caricata é outro assunto. Eu não me orgulharia de me auto-intitular uma feminista e ao mesmo tempo ser comparada com mulheres que contribuem cada vez mais para a imagem negativa do sexo feminino onde se dá muito mais valor à sexualidade do que à própria inteligência. E não me venham com "você não é obrigadx a gostar da Valesca. Você não precisa adicionar o funk à sua playlist.", a pessoa é o que faz, e se é uma imagem dessas que o feminismo quer passar, sinto muito, mas eu não compro.

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    1. Ver você achar que entendeu alguma coisa é que é lindo, beijos. E ninguém tá te pedindo pra comprar nada, gata, o movimento é plural, quer vc e pessoas com o seu grau de elitismo queiram ou não.

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    2. A pessoa me manda um comentário elitista desse e é a Valesca que não entende bulhufas.

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    3. Imagem negativa do sexo feminino? Em que século nós estamos??? Não é exatamente contra isso que lutamos!? Imagem pra quem?? Negativa pra quem? A questão é o direito de ser quem vc quiser e com a imagem q quiser.

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    4. pode até ser preconceito elitista, mas é bem provável que ela não entenda mesmo. a maior parte do nosso povo não tem muita leitura, não é culpa deles, @ anônimo apenas constatou o obvio.

      isso [nao entender] é um problema? não. mas daí a dizer que ela levanta bandeiras [feministas] que ela sequer conhece, já é um pouco demais. valesca pode ser um bom modelo em alguns pontos, mas feminista ela não é. ela nem se define como tal, certos setores feministas é que resolveram endeusa-la.

      o discurso dela é incoerente, machista na maior parte do tempo, e nem mesmo os momentos inspirados são dela, já que ela mesma afirma que é o empresário o responsável.

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    5. Eu sou obrigada a reconhecer que fui assim, uma julgadora de outras mulheres. Foi u, artigo no 'Blogueiras Feministas' que me levou a repensar os meus preconceitos com relação às roupas e comportamentos.

      Por esses dias vi uma imagem no Facebook, uma tirinha que mostrava que o pior vitimado é aquele que desconhece ser vítima. É por isso que existem mulheres que repetem padrões machistas exigindo que outras mukheres sejam a eles fiéis. É por isso que apesar de sempre ter defendido o direito da mulher que eu ainda guardava comigo certos preconceitos que me levavam a exigir a fidelidade a padrões machistas.

      Felizmente, porém, a palavra escrita tem o poder de mudar as pessoas e eu li aquele texto, e depois outros, que derrubaram a minha arrogância de achar que sabia tudo e mostraram a minha pequenez. Hoje descobri que sei um pouco mais do que ontem, mas estou há anos-luz de saber tudo o que é para ser sabido.

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    6. Sou feminista e entendo que o fetiche da mulher que satisfaz os desejos sexuais do homem é um dos pilares da excessiva sensualidade feminina, porém não topo o feminismo moralizante e conservador que nega que existem sim mulheres que enxergam as relações, o sexo oposto e próprio corpo de forma extremamente sensual e sexualizam seu comportamento, assim como os homens! Ora, dizer que sensualizar as relações é algo masculino não é sexismo? E outra, dizer que por Valeska ser da periferia ou não ter estudo acadêmico faz com que ela apenas reproduza a opressão sem ter condições de analisar não é elitismo demais? Isso pra mim beira o preconceito e tira a autonomia das mulheres de exercer a sua sexualidade da forma que ela mais sente prazer, Valeska pra mim (sem brincadeira) marca uma nova trajetória da mulher em sensualizar seu comportamento, porque ela não quer fazer o homem gozar, ela quer sentir prazer. Alguém acha de verdade que Valeska é oprimida?

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    7. Antes de falar que a valesca não entenderia esse post acho que você deveria ver mais entrevistas dela! ELa é muito feminista e fala da sexualidade dela não porque ela quer dar prazer ao homem e sim para mostrar que tem uma sexualidade forte que mulher gosta de sexo que gostar de sexo não é só coisa de homem!

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    8. Acho que em se tratando de autonomia o que deve prevalecer é o direito de optar, gozar ou não, sensualizar ou não, sexualizar ou não. E ai eu me pergunto, porquê eu tenho que gozar? Por que tenho de gostar de sexo pra ser feminista? Nesse contexto, me parece que estamos mais uma vez reproduzindo a opressão. É imperativo que nós mulheres saibamos que é possivel, sim, gozar, que é natural e desejável que atinjamos esse ápice. Que gostar de sexo é natural e desejável. No entanto, devemos romper com os paradgmas. Ser feminista vai bem alem da sexualidade. Podemos ser femisnita e sexualmente assexuada. Ser feminista é se rebelar contra a opressão masculina nas suas formas mais sutis.Ser feminista é bem mais do que gostar de sexo e dizê-lo. Acho que a Valesca é um exemplo de coisificação da mulher, no entanto defendo que ela tenha o direito de ser como é. Mas o seu "feminismo" não me representa.

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  3. Creio que a Valesca seria a melhor pessoa para definir o objetivo da sua própria música.

    Entretanto, tenho lá minhas dúvidas se super-expor a vagina, o grelo, o cu, etc. é um dos caminhos que vai libertar a sexualidade da mulher das amarras do machismo.

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    1. Também me pergunto se é o melhor caminho, mas a sexualidade feminina é tão invisível ainda hoje, sabe? Invisível e super condicionada à dominação masculina. Como vamos discutir como somos condicionadas a agradar o outro, deixar nosso prazer de lado, sendo que nosso tesão ainda é visto como algo que não existe? Nosso consentimento é super relativizado, as revistas dizem tudo que temos que fazer pra agradar o outro e trata nosso prazer como apenas um acessório do prazer masculino.
      Quando uma funkeira canta "a porra da buceta é minha", ela afirma que ela pode escolher fazer sexo ou não. E não é isso que a gente tá falando? Também é, né?

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    2. Continuo não concordando com a super-exposição, da mesma forma que eu não concordo com super-exposição em letras do funk masculino.

      Estou assistindo a entrevista dela com a Marilia Gabriela, onde ela diz que ela não é autora das letras, mas quem as faz é o empresário dela.

      E ela relata também que não houve machismo da parte dos cantores homens do funk.

      Numa letra, ela canta a liberdade de fazer sexo com quem ela quiser.

      Noutra letra, ela diz que mulher burra fica pobre porque não usa o poder da buceta pra segurar e tirar dinheiro do homem.

      Considerando que a contradição invalida o argumento primeiro, o funk da Valesca é mais do mesmo.

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    3. Gente, quando é que sexo vai deixar de ser esse tabu supervalorizado? Ele não é tanta coisa assim para ser escondido não. "Super-exposição" nada. É simplesmente uma exposição nua e crua.

      E não acho que de maneira alguma a contradição invalide o argumento. É como dizer que não é possível tirar algo de produtivo de qualquer coisa porque tem, sei lá, um erro x no meio. Discordo.

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    4. Tabu? Que tabu?

      Pra mim, sexo é pra ser praticado: sozinho, com mais um, com mais dois, com mais três, numa orgia, com gente do sexo oposto ou do mesmo sexo, com travesti, com transsexual. Do jeito que a pessoa escolher.

      E o sexo pra mim é tão natural, que ficar ouvindo letras sexuais até me cansa :-)

      Não uso de juízo de valor pra falar da Valesca, não a vejo como puta e nem como santa, apenas mulher. A buceta é dela e ela faz o que quiser com ela (e eu não tenho nada a ver com isso). E eu o que quiser com a minha.

      E, se a gente for seguir a sua linha de raciocínio, não se pode chamar um homem de machista sem conhecer todas as atitudes dele, né? Ex: um homem que acha que mulher tem que ser independente financeiramente, mas não permite que ele seja autônoma. Seguindo seu argumento, ele é meio-machista (porque não deixa ela tomar suas próprias decisões) e meio-feminista (porque acha importante ela ter o próprio dinheiro).

      Quando o sexo deixar de ser tabu, erotizado, pra ganhar dinheiro e for, realmente, considerado algo natural e básico, músicas tipo essa não farão sucesso nenhum.

      Porque escovar os dentes é natural e básico e ninguém faz música com isso pra ganhar dinheiro.

      Sexo pelo sexo, em grande quantidade e grande qualidade.

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    5. SLOW CLAPS!

      Concordo com tudo.

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    6. Então por que falar de sexo abertamente é tão assustador se não é tabu? E você acha realmente correto analisar toda uma obra com base em um trecho? Digo isso tanto em quesito de posicionamento político-cultural, quando em obra artística mesmo.

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    7. Temos aqui uma entropia na conversa.

      A minha crítica não é sobre falar de sexo abertamente, apesar de achar que as pessoas gastam mais tempo falando do que fazendo.

      Inclusive, estou agilizando uma forma de dar aulas em escolas públicas para falar sobre sexualidade e respeito às diferenças.

      A minha crítica é sobre essa associação entre: Feminismo versus Funk da Valesca.

      Eu, realmente, não consigo ignorar "trechos" das músicas. Porque estamos falando de Comunicação de Massa, onde temos divulgação de mensagens que são absorvidas rapidamente e, em geral, sem senso crítico, gerando novos comportamentos.

      Ou seja, o imediatismo atual faz com que as pessoas 'engulam' informações e comportamentos sem explorar todas suas 'caras' e consequências, que é o que estamos fazendo aqui.

      Quem vai absorver a liberdade da mulher transar quando, com quantos e com quem quiser também vai absorver a informação abaixo como Feminismo, que eu retirei da letras de funk:

      "O mascote da antiga, ele é a historia do funk,
      ele disse que o homem tem que ter uma amante
      se liga ai amiga no que a gaiola vai falar
      >>>mulher de verdade quer um otário pra bancar<<<<."

      "Mulher burra fica pobre
      Mas eu vou te dizer
      Se for inteligente pode até enriquecer
      My-my pussy é o poder"

      Dentre muitas outras...

      Esses esteriótipos de 'mulher de verdade', 'mulher burra', 'mulher inteligente' ditam e reforçam comportamentos negativos para a mulher. Do mesmo jeito que mulher puta ou santa. É dividir mulher por categorias.

      Além de incitar rivalidade entre as mulheres com os papéis sociais de mulher casada e amante (quem é a melhor?)

      Se o funk da Valesca tratasse, unicamente, de 'falar abertamente de sexo' eu não estaria aqui discordando.

      Inclusive, observando o Funk Feminino, o 'boom' veio com Tati Quebra Barraco. Me parece que ela tem mais personalidade, opinião e coragem (Sou feia, mas tou na moda!)

      E está se falando tanto de elitismo e moralismo aqui e eu questiono:

      Por quê essa escolha pela Valesca Popozuda se a Tati Quebra Barraco veio antes e tem o mesmo conceito de funk?

      Posso me arriscar a dizer que a negra e acima do peso foi preterida pela branca e sarada?

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    8. Kelly, estamos mesmo preparando um texto sobre a Tati, não se preocupe. Hoje ela foi a pauta do dia e trocamos muitas informações sobre o assunto, se esse é o problema não há problema :D

      A escolha pela Valeska veio na verdade justamente pela repercussão da música "mama", foi uma questão temporal.

      Agora os trechos que você questiona dão uma discussão muito mais ampla sobre o assunto.

      Entramos então na questão do capitalismo e até que ponto é possível e plausível a nossa liberdade dentro dele. Você concorda comigo que as conquistas feministas atingiram muito mais as mulheres brancas e de classe média, não? O capitalismo limita as conquistas ao dinheiro, as condições de vida estão intimamente ligadas a liberdade de uma mulher. Por isso quando se fala em funk e favela, o ponto "otário pra bancar" vai aparecer, porque estamos limitadas a isso.

      A questão do feminismo da Valeska é que ele parte de um meio diferente do nosso, portanto se apresenta de forma diferente. Não é possível julgar mais ou menos feminista forças diferentes que partem de condições diferentes, entende? Há de se reconhecer as possibilidades e o que é transgressor dentro do meio em questão.

      Logo, a abordagem aqui é justamente contrária a sua preocupação. Você trata de transmissor e receptor em meios de comunicação de massa. Nós compreendemos a grande questão como o antes disso. Nossa análise aqui é justamente a produção do material e o que significa seu conteúdo dentro da possibilidade do meio em que a obra da Valesca está inserida, entende?

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    9. Boa! Em parte, concorda comigo.

      Vivemos no mundo de Cidadão Kane e não é à toa que os movimentos negro, gay e feminista caem matando nos produtos de Comunicação de Massa. Já não é uma preocupação, mas sim FATO. Comunicação de Massa aliena, mente e reforça esteriótipos.

      O sistema econômico dificulta a liberdade da mulher? Acredito que sim.

      Mas o principal responsável é mesmo o sistema social, o Patriarcado, onde o controle da sexualidade feminina é uma forte característica.

      E, sinceramente, meus esforços estão muito mais ligados ao combate ao Patriarcado. Porque eu, enquanto esquerdista, vivo e debato com meus amigos anarquistas e socialistas e fico impressionada com tamanha mentalidade machista. Tenho a certeza que Marx e Fourier se reviram no túmulo.

      Assim, uma mudança de sistema econômico não eliminaria o machismo.

      E, por isso, que eu critico comportamentos e esteriótipos machistas, seja lá de quem venha.

      Porque machismo não escolhe cor, nem credo, nem política, nem classe social, etc.

      Obrigada pelo debate.

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    10. Kelly obrigada pela participação, :)

      Também acho que uma mudança no sistema econômico não eliminaria o machismo. As opressões se retroalimentam, mas sem o combate direto ao patriarcado, o machismo continuará firme e forte. Infelizmente.

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    11. Sexo não é tabu?
      Eu quando fui me masturbar pela primeira vez eu pensei que a vagina fosse o canal por onde passa a urina.
      Quando eu vi um filme pornô pela primeira vez pensei que no coito o pênis entrava no anûs da mulher, porque eu não sabia o que era vagina. Porque tocar "ali" é feio.
      Na época eu tinha 11 anos.
      Claro, hoje depois de muito medo de engravidar e de ser estuprada que todos me passaram e apesar de tudo isso eu aprendi sobre o meu corpo e sexo.

      sexo É tabu.

      (ps:hoje tenho 20 anos).

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    12. Kelli, ótima sua participação. Concordo!
      E, respeito a Valesca, o trabalho dela, mas não acho que me emancipe, que me empodere, que me represente, nem a mim, nem minha sexualidade... Talvez se ela fosse mostrada "nua e crua" realmente, talvez eu poderia pensar que ela é uma figura libertadora. Mas as fotos acima mostradas, peraí: Não, essa não é a Valesca nua e crua. Essa é a Valesca se adequando ao mercado. Creio que por causa dessas imagens que se prete3ndem representar as mulheres na sociedade, tem 17% das jovens norte americanas se automutilando. Eu passei por isso. E quando isso me afeta, eu me sinto no direito de opinar. Valesca disse em entrevista a Marília Gabriela que investiu na bunda sim porque era sua ferramenta de trabalho. Isso não me representa. Ela vende "discurso de libertação sexual feminina". Viver essa libertação pra mim é outra coisa ainda. Mas sim, pode ser uma caminho. Acho que precisamos de estratégias. Algo que andei pensando outro dia, que acho que o texto tocou e que é mesmo importante: o feminismo, de fato, ainda está muito aburguesado. As mulheres das classes baixas, as prostitutas, todas tem de se manifestar e dizer o que é melhor pra elas, mesmo que a gente não concorde. Venho de classe baixa, acho um meio extremamente machista, mas com muitos lados positivos no quesito emancipação da mulher...mas enfim, só ouvindo muitas mulheres que começaremos a encontrar estratégias!

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    13. kelly, arrasou. assino embaixo.

      anônimo das 22:54, sexo é tabu e valesca não ajuda a quebrar. oq a kelly está fazendo (programas de educação sexual em escolas) é muito mais útil. aliás, foi assim que eu aprendi sobre sexo, mais ou menos na idade em que você descobriu que a uretra não era a vagina: lendo livros, vendo videos educativos. talvez algum dia o funk e a pornografia ajudem, mas não é oq se vê hoje.

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  4. "E o fato dela tentar ler esse post e não entender bolhufas é lindo, não é?"

    Elitismo foi à mil aqui, hei, colega.

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    1. É elitismo ser inteligente? Então eu sou elitista sim. Com muito orgulho.

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    2. Anônimo, elitismo é considerar que ela por ter nascido na favela não entenderia esse texto.

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  5. O modus operandi sugere que todo o potencial libertário da Valeska um dia vai soçobrar quando ela virar evangélica, entoar louvores e abraçar toda a carga ideológica de submissão atrelada. Vai ser de "pega na sua bíblia e louva" pra baixo.

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    1. Ou não. Duvido muito de Valeska futura Cleyci.

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  6. pode ser que pra alguma de nós, a música da Valesca e da Tati Quebra Barraco e das outras funkeiras não tenham nada de libertação porque vivemos numa realidade diferente, uma realidade que nos permite mesmo que mais ou menos, ser donas dos nossos corpos, por simplesmente termos dinheiro. mas isso não retira a importância de falar que a porra da buceta é dela na realidade dela pras mulheres que ouvem um funk que em geral é produzido por homens que vão pro proibidão trair as esposas, enquanto a mulher fica em casa cuidando dos filhos.

    Mari

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  7. Parabéns pelo texto, Flávia!

    Eu, pessoalmente, gosto demais de várias músicas da Popozuda, em outras eu consigo apontar várias questões problemáticas, mas faço isso partindo da visão básica: ao mesmo tempo em que ela quebra tabus e faz algo inédito, ela reproduz estereótipos e axiomas sexistas (como quando diz que mulher rouba homem de outra ou que fica com o cara só pelo dinheiro).

    De qualquer forma, eu não poderia concordar mais com esse texto. A parte que toca o elitismo foi super pertinente.

    Jarid Arraes.

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  8. Acho muito triste que estejam chamando a mulher de desprovida de inteligência e até supondo que ela não entederia esse texto.

    Só mais uma forma sexista de valorar mulheres e menosprezá-las intelectualmente quando são sexuais.

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    1. na verdade, não. se fosse uma mulher rica e "sexual", ninguém duvidaria da capacidade de compreensão do texto. a questão é que ela é pobre, portanto tem grandes chances de ser ignorante. o preconceito é elitista, não machista.

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    2. Já vi esse mesmo preconceito com jovens homens classe média que são adeptos de musculação.

      Acho que esse preconceito é fruto de uma dicotomia absurda de ter que escolher se vc alimenta o cérebro ou o corpo. Ou vc é "bonito" (norma padrão), ou vc é "inteligente" (o que também parece ter uma normatização, mas eu não sei bem ainda dizer qual padrão seria esse).

      "PORRA, MERMÃO/MERMÃ! SER GOSTOSO E SAGAZ É FODA, HEIN?" Algo como não pode ser os dois se não é latifundiário de qualidades.... vai entender! =P

      Ass.: Taís, que queria ser gostosa, mas nasceu inteligente...

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  9. eu gosto da parte de ser sexual, do direito a resposta, mas a Valesca tem me decepcionado em alguns pontos, eu a vejo como mais uma louca pra agradar. só que uma louca pra agradar recalcada. aí vem com esse papo de dinheiro e tralalás. olhando por aí faz muito sentido imaginar a valesca-cleyci, pelo menos pelo que ela vem mostrando ao público.
    já a tati eu acho mais autentica.

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    1. a tati já virou crente, salvo engano. a valesca ainda não virou pq ainda é gostosa e, portanto, tem a aprovação da maior parte das pessoas. quando ela ficar mais velha e perder o valor pra esse mercado capitalista do sexo, ela vai pelo mesmo caminho. esse é o machismo nos mandando um beijo: mulher velha não tem valor, mulher feia não valor, mulher gorda não tem valor, mulher negra não tem valor.

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    2. Que feio! Duas pessoas falando sobre gente que elas não conhecem, delimitando seus desejos, enquadrando em padrões suas necessidades.... e o pior: elas nem se tocam que isso é preconceito!

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  10. Parabéns pelo texto, Flávia!
    Eu compartilho da opinião de algumas pessoas aqui, não entendo bem o limite entre um grito pela liberdade e uma só mais uma forme de agradar homens. Mas o que não dá pra negar é que nós temos que ter o direito de falar sobre, querer e fazer sexo, com o vocabulário que bem entendermos. Não dá pra negar que pras mulheres fãs da Valesca é empoderamento, né? É não ter vergonha de sentir prazer!

    Ainda quero estudar mais sobre o assunto e me esclarecer melhor (:

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  11. Amei o texto!!! Muito boa iniciativa.

    E Carol, você me representou muito, estou na mesma que você em entender esses limites de sermos submissas aos homens... sobretudo porque ela faz parceria com o Catra, é isso?? e ele é muito machista neh... mas acho que a Valesca está super certa em usar a linguagem que ela quiser! É o mínimo ser livre com as palavras... ;)

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    1. Não só a buceta, mas a boca também é dela, né Catherine? Viva a linguagem popular, que ela também é nossa. (:

      É, o Catra é super machista e é por se recusar mesmo a conhecer e estudar melhor o assunto. Vejo inclusive muita gente sendo fã do Catra e falando mal da Valesca, vê se pode?

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    2. o catra estudou no colégio pedro II, ignorante ele com certeza não é. já a valesca, eu suspeito que não tenha tido as mesmas oportunidades que ele.

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    3. ah, e a linguagem não é o problema. "a porra da buceta é minha" é empoderante pra caralho. o problema é dizer que o cu só pisca quando vê cordão de ouro e que mulher de verdade quer um otário pra bancar.

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    4. Se estudar em colégio caro fosse sinônimo de não ser ignorante, meu ensino médio teria sido tão mais agradável em coleginho de classe média brasiliense....

      dinheiro não é sinônimo de conhecimento, não, gente. essa elite não compra cultura!

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  12. Gostei muito do debate!

    Acho muito válido debater a luta das mulheres na sociedade ocidental, principalmente porque é uma questão relativamente recente, e como na teoria da vara envergada de Lennin (onde uma vara torta tem que ser envergada para o o outro lado, para que fique reta), as mulheres tem sim que extrapolar para se igualar aos homens (nenhuma outra conquista foi diferente). Mas nesse caso, é preciso ter bastante cautela para não utilizar ingenuamente o discurso da Popozuda. Gostei muito da forma que foi analisada o discurso da Popozuda pela Flavia, e acho que é bem por aí mesmo. Por outro lado, para um/uma jovem que normalmente ouvem essas músicas (apreciadas por ambas as classes), sem uma orientação adequada, essas letras reforçam outros tipos de reflexões e condutas. Mas acho uma grande oportunidade de debate, tanto para apontar os pontos positivos, como negativos para avançar nessa luta.

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    1. Pois é, às vezes penso que o debate sobre a Valesca é tão importante justamente porque é através dele que a gente discute diversos pontos, como a invisibilidade da sexualidade feminina, o conservadorismo, o tabu do sexo, a questão da objetificação, o elitismo, o capitalismo e até mesmo o uso do machismo para lutar contra a opressão. Ver como o capitalismo e o machismo operam juntos é algo que pode acontecer com esse debate.

      Até comentei hoje em uma discussão no facebook que o empoderamento é porque enquanto os funks feitos pelos homens cantam sobre humilhar a mulher, sobre largar a esposa e ir pro baile funk trair e coisas afins, ela responde. Ela fala que ela gosta de sexo, que ela quer sexo. Ela quer dizer "eu também quero gozar".

      Mas uma crítica super válida que acho que deve ser feita é sobre a Valesca estar de certa forma inserida no padrão de beleza, ela é gostosa e ela é loira. Enquanto outras funkeiras são gordas, negras e por isso não fazem tanto sucesso.

      A gente tem que pensar também que ela mostrar o corpo não é algo que simplesmente é um grito de liberdade, porque a gente sabe que corpo bonito "vende" música. Ela cantar de sexo é transgressor, é empoderamento, mas existem outras coisas aqui que devem ser faladas e debatidas.

      Mas é fato que a imagem da Valesca vende porque ela se exibe, vende porque ela é gostosa e loira. Não acho que falar isso é juízo de valor, falar isso é só perceber como funciona o machismo e o capitalismo juntos na nossa sociedade.

      A Valesca vive numa realidade bem diferente da minha, pelo menos, ela é pobre, morou na favela, entre outras coisas, ela é muito oprimida pelo capitalismo também e considero que é por isso que ela fala do homem provedor, porque ela quer sair daquela pobreza e ela sendo fruto de uma sociedade machista que só a valoriza como um corpo, acha que a única maneira dela sair daquela situação é através da exploração do corpo dela. Pra gente ter liberdade sexual hoje a gente precisa de dinheiro, dinheiro pra anticoncepcional, pra ir na médica ginecologista, também tem isso, né? É tudo tão emaranhado que é complicado dissociar. Mas eu acho que pra realidade dela, ela é feminista, porque ela dá voz às mulheres, ela quer o direito de ter tesão, de falar de sexo e não acha que só os homens fazem sexo, mas apesar disso, ela ainda tá presa a muita coisa....

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    2. De fato, Taís, são questões complicadas...As realidades são diferentes, mas gostaria de acreditar que nós buscamos o bem comum para as mulheres, e buscar isso por caminhos opostos é meio inviável. Eu também morei em favela, também cresci ouvindo da minha mãe que eu precisava dar valor ao homem, que mulher não precisava trabalhar, que tinha de limpar casa, fazer sexo do jeito dele e tudo mais pra não apanhar e ser chamada de porca. Minha mãe vive de pensão alimentícia até hoje...Também veio de família pobre...Ela acaba de vender a ´unica casa que tinha (na periferia onde morávamos) e usou o dinheiro pra levantar os seios(caídos pela maternidade, que me alimentou, sim, rsrs, fazer lipo, tatuagem pra cobrir a cesariana...e etc, etc. Desde criança eu não concordava com esse modo de pensar. E são premissas muito comuns para as mulheres na favela. Apesar delas não poderem se dar ao luxo de não trabalhar, essa independência econômica não resolve questões de opressão. Hoje eu faço faculdade. Minha mãe não se importa. Só se importou quando eu desisti de me casar com 17 anos... O que quero dizer é que, mesmo pobre, mesmo ouvindo todo o tempo essa ideia disseminada pela Valesca "Mulher de verdade quer um otário pra bancar", eu via ao meu redor muita opressão, tristeza, disputa, dependência...que não se resolveria se assumissemos o discurso. A pobreza não é desculpa para "bobear" na vida. Conheço muita mulher pobre, guerreira e inteligente (esperta). Gostaria mesmo que o feminismo debatesse essas questões pois me aflige muito.

      Obrigada pelo debate! Vamos continuar!

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    3. "Ela ainda tá presa a muita coisa". Concordo.

      Mas.... não estamos todas?

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  13. Acho de certa forma interessante a figura da Valeska. Só acho que as músicas que falam de sexo poderiam ser mais inteligentes.Acho horrivel uma criança cantar 'Quero te dar', mesmo sendo a favor da liberdade de expressão.Eu lembro da época do É o Tchan que cantava musicas com duplo sentido.Acho mais saudável cantar 'boquinha da garrafa' pois essa expressão tem dois sentidos do que "minha xota quer gozar".A medida que os anos passam, o sexo cada vez mais passa a não ser tabu e discutido abertamente, isso é inevitavel, porém deve ser feito com cuidado, sem escrachar. Contudo é lamentavel a Valeska ser julgada pelo que faz porque o Alexandre Frota foi um dos 'pais' do funk do Brasil, fez filme porno e ninguem abre a boca para falar dele.Eis uma sociedade machista.

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    1. ah, eu acho isso uma bobagem. letra de duplo sentido não é mais inteligente que gíria sexual. não me incomoda em nada a letra explícita, as roupas, o comportamento. a mensagem e a ideologia por trás, sim.

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    2. Um bom ponto: como se encaixa a criança, nesse contexto?

      Eu, pessoalmente, acho que se é para deixar de ser tabu, não é problema ver criança cantando "quero te dar". Aliás, me parece uma ótima forma de conversar sobre sexo com uma criança, explicar como funciona a genitália, explicar que outras pessoas podem ter gostos diferentes ou genitálias diferentes, explicar a responsabilidade do uso de métodos contraceptivos e proteção contra doenças.

      Trabalhei algum tempo com população de jovens com vivência de rua e pude perceber isso. Essa população consome muito funk e é sexualmente muito ativa. Se uma coreografia ensina a fazer tal coisa com a perna, lá vão eles trepar desse jeito.

      Ao invés de torcer meu nariz classe c e dizer q "não é necessária tamanha escrachação", eu fui trabalhar as questões de gênero, reprodução e saúde...

      E aí, como incluir a criança num mundo de liberdade sexual-lingüística? Cabe um "a porra da bucetinha é minha?"

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  14. O que você quis dizer com Dialética da popozuda?

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  15. À medida que as mulheres usam roupa, passamos a praticar a repressão sexual. E isso não é ruim, é isso que nos diferencia das cadelas, a humanidade consegue racionalizar a sua sexualidade e identifica que não precisa ativar ela sempre que dá na telha. São contra o incesto? Pois considerem essa uma repressão sexual por uma regra arbitrária chamada família e por aí vai.

    Se a Valesca quiser pode simplesmente dar para quem quiser e falar alto. Mas isso não a torna feminista, nem uma mulher digna, mas apenas puta. E o pior, essa banalização da sexualidade é o retorno da humanidade à era pré-histórica, ao fim da nossa própria racionalidade.

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    1. "Mas isso não a torna feminista, nem uma mulher digna, mas apenas puta."

      Alguém que pronuncia as palavras feminista e puta na mesma frase simplesmente não sabe absolutamente nada do que está falando, desculpa.

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    2. Sério gente, que sexo é esse que vocês fazem que tá mais para ritual sagrado.

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    3. Considero o incesto ruim quando a jogo de autoridade, como no caso de pedofilia. Se dois irmão se apaixonam e tão a fim de se relacionar, não vejo problema. Agora, vc me fez pensar no seguinte: que sexualidade feminina é essa? O que me preocupa é que, todas as mulheres que falam abertamente da sua sexualidade, são as famosas "Devoradoras sexuais, insaciáveis". Gozar é bom, admitir não faz mal...Mas será que ao invés de libertar a mulher não estariam fantasiando demais a sexualidade feminina, em vantagem do homem, como o fazem bem a algum tempo a pornografia tradicional?
      Devemos considerar que falar da sexualidade feminina é também construíla, pois todos esses anos de silêncio e censura deixou uma lacuna. Quem vai preenchê-la? A Valesca e aquela moça de 100 homens num ano?

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    4. Bora devagar, ponto por ponto:

      "À medida que as mulheres usam roupa, passamos a praticar a repressão sexual. E isso não é ruim, é isso que nos diferencia das cadelas, a humanidade consegue racionalizar a sua sexualidade e identifica que não precisa ativar ela sempre que dá na telha."
      Não entendi. O que me diferencia de uma cadela é que eu uso roupa? Ou eu não sou uma cadela porque eu tenho sexualidade reprimida? Ou, pior ainda, eu não sou uma cadela porque a repressão fez com que eu fosse capaz de não trepar quando me dá na telha??? Aff, estou pensando que é melhor ser cadela, viu?

      "São contra o incesto? Pois considerem essa uma repressão sexual por uma regra arbitrária chamada família e por aí vai."

      Pessoalmente, eu reforço o tabu do incesto não pela "família" e sua sacralidade, mas porque gerar filhos com parente costuma dar merda. Porém, como nem todo coito é para gerar moleque, tou no grupo de gente que já tirou casquinha de primo nas férias da casa da vó.

      "Mas isso não a torna feminista, nem uma mulher digna, mas apenas puta."
      "apenas" puta? (ai, morri!) E ser puta torna a pessoa menos mulher, ou menos digna? Que horror!!!! Morri, morri!!!! XP

      "E o pior, essa banalização da sexualidade é o retorno da humanidade à era pré-histórica, ao fim da nossa própria racionalidade."

      Isso só reforça a dicotomia besta de racionalidade x sexualidade. Há estudos de universidades gringas que apontam que há possibilidades de ser racional e ainda sim ser sexual ou emocional. Precisa escolher um só, não, viu?

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  16. Eu fico besta. Enfim, brigada aê a todxs que leram e gostaram do post e aos que souberam discordar com o mínimo de bom-senso. Pro resto, incluindo aloka que divide as mulheres entre feministas, mulheres dignas (oh what???) e putas, fica o botãozinho pra apertar, pq né, levar a sério é que eu não vou: http://myinstants.com/instant/paola-bracho/

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    1. Tiago Rodrigo Oliveira Lopes Lima27 de maio de 2012 17:16

      Você fica besta? Eu pensi que você já fosse assim de nascença.

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    2. Olha esse Tiago... Que respostinha mal educada, idade mental 12 anos.

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  17. Muito bom o texto, muito bem escrito e embasado. Corroboro desse pensamento acerca da obra da Valesca Popozuda, e inclusive levei a discussão ao curso de Letras na UEPB, junto com a amiga Abisague Cavalcanti. Se as pessoas parassem pra estudar a história da mulher - ou a própria história da sexualidade - compreenderiam o valor da obra dessa Mulher. Gostaria de publicar este texto no meu blog (claro que fazendo as devidas citações), por isso venho pedir a autorização das autoras para tal publicação. Parabéns pelo ótimo texto.

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    1. Egberto, entre em contato via e-mail. ;)

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  18. Acho que a grande questão é que a Valeska toca em dois pontos caros pra nossa sociedade moralista e conservadora: ela fala da sexualidade da mulher e fala de uma outra classe social. Daí vem os discursos de "claro que a mulher tem direito à sua sexualidade, desde que seja com recato, pra que falar de sexo tão abertamente se tudo pode permanecer no silêncio", é claro, "isso não é tabu, é bom senso". Afinal "a mulher tem de se dar ao respeito e pensar isso não é machismo". E o outro ponto é o do elitismo, da classe que se diz dona do bom gosto, das letras de alto nível. O resto é vulgaridade. É como a lei anti-baixaria da Bahia que serve pra silenciar os pobres e muitas vezes tirar deles umas das únicas formas de diversão. A Valeska fala a partir de um contexto que vai ser sempre desprezado mesmo se ela não falasse de sexualidade.

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    1. É exatamente o que acho, Karla. Todo julgamento em torno dela é cercado de moralismo e elitismo. Achei muito interessante você pontuar esses dois aspectos que sempre rodeiam a figura da Valesca. Gostei demais do seu comentário ;)

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    2. nenhum dos 2 pontos me incomoda e eu continuo não achando valesca feminista. a kelly ali em cima sintetizou o incômodo.

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  19. Vocês se acham donas da razão!

    Eu posso ser feminista e não concordar com isso, oras... Concordo com a Alícia. E outra, esse julgamento de caráter é próprio do ser humano, ué. Não me venha dizer que vocês nunca fazem isso. pfvr né

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    1. Concordo que as pessoas podem ser feministas e não concordarem com o texto, até porque é um assunto polêmico. Eu considero que ouvir e cantar "a porra da buceta é minha" é empoderamento da sexualidade feminina, mas tem gente que não concorda, por causa da questão da objetificação, de até onde vai esse consentimento sendo que isso pode ser visto como uma forma de agradar homens... Então vale a pena discutir numa boa. Como tem gente fazendo.

      Eu só não acho que alguém que usa puta como xingamento, separa mulheres como putas e valorosas possa ser feminista porque isso é incoerente. Como ser feminista se você acha que uma parcela das mulheres não merece respeito?

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    2. Engraçado como, ao não ter argumentos, as pessoas lançam o bom e velho "todo mundo tem direito a uma opinião" ou "posso muito bem não concordar com isso". Ninguém aqui está buscando cercear a liberdade de ninguém de discordar de algo. Você pode ver que todos os comentários estão aqui, aceitos e publicadinhos para todo mundo ver.

      A questão é que, enquanto quisermos, continuaremos contra-argumentando. E quando um argumento é forte e estruturado, como o da Kelly, por exemplo, a discussão pode ser longa e gerar muitas outras questões.

      Agora quando se resume a "ela é apenas uma puta" ou "ela nem entende isso aí" a conversa acaba rapidinho simplesmente porque a pessoa está se baseando unicamente em preconceito e nada em reflexão.

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  20. Quer saber posso não gostar do estilo musical dela ,mas naã vejo nada que podemos nos opor !!Ela fala ,canta o que quiser !!!

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    1. Também não gosto, Anarita. Não ouço funk, não faz meu estilo. No máximo, eu leio as letras por curiosidade ou ouço na rua, quando um carro passa, sabe?

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  21. Minha humilde colocação: o texto é muito bom e concordo em muito com alguns dos posicionamentos, porém o que me incomoda, de um forma geral, é que ainda a imagem da mulher é muito vulgarizada na mídia, na sociedade e não acho que isso a ajude na luta por seus direitos, respeito e reconhecimentos. Banaliza e marginaliza pretensões como a da Valeska e outras mulheres, em se mostrar independente em sua sexualidade, ou seja: o mundo pode mostrar os peitos num comercial,programa de TV sensacionalista, mas se a própria mulher os mostra como ativismo, protesto ou simplesmente para se auto-promover, ela é a bandida?? Aff...

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  22. Ah vá se o Catra pode escrever e cantar "todas aquelas merdas" porque a Valeska não pode?
    A pessoa é livre e não pode dizer/cantar/fazer o que quer sem vir alguém e falar que ela não presta. ¬¬'
    Eu particularmente acho as músicas um lixo [desculpa ai quem gosta,mas não gosto mesmo do funk nacional,sorry], mas pago um pau enorme por ela ter coragem de cantar e falar o que quer e pensa e não estar nem ai pra quem fica falando mal da imagem pessoal dela.
    Toda mulher que luta p/ ser livre,p/ dizer, cantar, falar, vestir, o que quer mesmo contra a vontade e o julgamento de muitos, é feminista sim, mesmo ela não tendo ideia disto.

    [Ps: eu falo muita abobrinha mas amo isso aqui =* ]

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  23. Ora Flávia,
    Você escreve um texto tentando mostrar que a música da Valeska pode ser vista sob outras óticas, além da mais difundida, mas ridiculariza abertamente o comentário da Alicia Flores, que fez uma distinção entre mulher digna e mulher puta. O que você quis dizer “discordar com bom senso”?

    Rose

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    1. Chamar a Valesca ou qualquer mulher que faça e fale de sexo de puta é senso comum, é machismo, é desrespeito. Isso não é argumento. Não é bom senso, é só mais uma manifestação de como a mulher não tem direito a viver sua sexualidade livremente.

      E nem foi a Flávia que comentou o post da Alicia Flores.

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    2. Como a Thaís disse, discordar com bom senso é justamente não fazer essa distinção ridícula tão propagada pelo machismo de mulher digna x puta. Sério mesmo que vão começar a colocar a dicotomia santa x puta aqui?

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  24. Ótimo texto!
    Eu resolvi falar, mas não sobre a Valesca especificamente como vcs fizeram, e sim sobre o funk de uma maneira geral. Também tento rebater algumas afirmações proferidas pelo Mr. Catra (que me transtornam sobremaneira até os dias de hoje) numa entrevista dada ao paladino do "politicamente incorreto" Danilo Gentili no ano passado:

    http://femalefriendlysongs.wordpress.com/2012/05/16/feminista-sim-machista-nunca/

    Além do jabá (me desculpe. Não resisti!), gostaria de dizer que adorei o blog de vcs e que, mesmo o conhecendo hoje, ele está nos meus favoritos. :)

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  25. Não sei se isso acontece apenas por ela ser mulher. Eu, particularmente não gosto das musicas, assim como não gostaria se fosse um homem falando do pau, bolas e afins. Mas tenho consciencia de que esse pensamento de sexo não ser visto de uma maneira positiva quando explícito, tem a ver com a maneira que vivemos, principalmente se for dito por uma mulher. Mas não sei se é bem por aí que a mulher vai conquistar um espaço respeitoso no sexo. Sempre vai ser distorcido, assim como é a parada gay ( que muitos acreditam que só tem putaria e não ajuda em nada).

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    1. Não agüentei e tive que compartilhar a minha "visão":

      Imagina que lindo que seria um "homem liberto do machismo", funkeiro, cantando uma música que fala sobre ele ter liberdade para dizer "não" para a oportunidade de fazer sexo com uma menina pela qual ele não nutre desejo, sem que isso implique que ele seja homossexual aos olhos dos amigos dele. Essa música seria intitulada "a porra do pau é meu".

      Ia ser tão legal!

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  26. Genteee... Tô bege !!! rsrsrs Parabéns por tudo !!! Tive uma mega aula com vcs meninas !!! E percebí que... achei que sabia alguma coisa, e agora vejo que não sei nada !!!

    Obrigado pelos ensinamentos !!!

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  27. CHEGA DE MARIANISMO!

    Liberdade de expressão! Ela está sendo extremamente livre e trabalhando com o que gosta e não tem quem faça ela se calar! É um tapa na cara de gente que, como eu, foi educada pra se chocar até com a palavra "pipiu".

    Independentemente do discurso feminista, VIVER É SUBVERTER!
    Deixa a colega ser feliz mamando ou o que seja, pois, como foi falado, ninguém é obrigado a consumir as suas músicas, MAS NUNCA DEVEM IMPEDIR QUE ELA SE EXPRESSE!

    "Eu desaprovo o que dizes, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo."

    Somos seres intelectuais, mas também somos animais sexuais! Por favor, não me cubra de gesso, que eu não sou assexuada!

    CHEGA DE MARIANISMO! CHEGA DE CLITORECTOMIA PSICOLÓGICA! /o/

    Sejam felizes, camaradas! ;)

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  28. Desculpa mas o que falta em relação a sexualidade é ser tratada com naturalidade, nem mais, nem menos, as pessoas tem muita necessidade de falar sobre sexo, de fazer isso parecer uma coisa muito importante, e é para cada um. Esse comportamento é para nos fazer engolir a sexualidade alheia, existem outras formas de conscientização, a maioria das seguidoras desses ritmos e as que tem "liberdade" sexual nem conseguem atingir orgasmo.
    Sem falar que essa expressão, reivindicação de direitos é feita da pior forma possível e atinge as crianças, imagino que quem defende esse tipo de linguagem em uma musica nunca passou por uma bairro pobre no final de semana e viu o quanto as crianças são expostas a sexualização precoce.
    Um livro direcionado, um texto, até um protesto é aceitável, mas uma musica que é veiculada sem controle e que todos trem de engolir não é aceitável mesmo, por mais justa que for a causa.

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    1. "a maioria das seguidoras desses ritmos e as que tem "liberdade" sexual nem conseguem atingir orgasmo." tá sabendo, hein colega? O resto do comentário nem vou falar nada pq é tão zzzzZZZZ

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    2. Bom, quando eu era criança o que passava na mídia e eu ouvia era "É o tchan" e bandas do tipo. E olha, nem passei por uma sexualização precoce, fiz sexo pela primeira vez com 21 anos, mesmo tendo dançado e ouvido esse tipo de música na minha infância.

      E quer mais? Eu ouvi essas músicas e tenho orgasmos, me masturbo, uso camisinha. E olha que eram músicas machistas pra caramba e não tinha um caráter de libertação feminina.

      Vanessa.

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    3. vanessa, eu também costumava achar que esse poder de influência das músicas era superestimado. mas não conheço a realidade dos fãs da valesca, então para eles talvez ela tenha muita importância, sim. eu ouvia é o tchan quanto criança, não entendia nada e nunca me eduquei sexualmente pelo oq diziam as letras. eu tive educação sexual adequada, por isso o tchan não me influenciou negativamente.

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    4. As músicas do É o Tchan tinham uma sexualidade implícita, nas da Valesca é explícita. E isso pode fazer muita diferença. Veja, tudo na vida tem um limite. Um remédio na dose certa pode curar, mas em exagero pode matar. Mesmo comida, todos precisam comer para ter uma vida saudável, mas comer em excesso prejudica a saúde. O mesmo vale para refrigerante, chocolate, televisão, sono, etc. Minha impressão é que a sexualidade nas músicas da Valesca, e do Funk em geral, passou do limite saudável (principalmente para as crianças).

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    5. A questão Anônimo é que a sexualidade sendo explícita ou implícita para uma criança provavelmente vai ser implícita. Sendo Valesca ou É o tchan, a criança só vai descobrir o que fala ali mais tarde. E ninguém tá falando aqui que crianças devam ou não ouvir Valesca, a gente tá falando que para diversas mulheres as músicas dela podem ter um caráter libertador. Principalmente porque o funk é um ritmo que tem muito mais músicas machistas e misóginas do que libertárias. A questão é que uma mulher falar de sexo é transgressor dentro dessa realidade. (E olha, na minha também).

      A sexualização precoce é um problema que não tem exatamente a ver só com o funk, mas é com a adultização das crianças. Até porque não é só o funk da Valesca que é sexualizado. Ou você nunca ouviu Raimundos? E Velhas Virgens? Só como exemplo. (E são músicas machistas que colocam a sexualidade só nas mãos dos homens).

      Bom, eu acho muito mais nocivo a música "Estupro com carinho" do Cascavelletes para mulheres, crianças e homens do que uma música da Valesca. Se uma mulher diz que pode fazer sexo com quem quiser e nem por isso merece ser chamada de vadia, eu valorizo. Se uma banda de rock relativiza o consentimento feminino numa música chamada "estupro com carinho", eu fico muito nervosa. E sei o que eu prefiro.

      Vanessa.

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  29. Bom,eu escuto funk desde o surgimento da primeira leva de "funk sensual",com bonde do tigrão e etc. Sempre gostei da valesca,tenho o último album,ouço cada música assim que lançada. Acompanho blogs e grupos feministas e tenho notado essa tendência de colocar o funk como feminista nos últimos meses.Analisando no geral me parece um argumento frágil,infelizmente.Cuidado com esse simplsimo de "é libertador a mulher falar de sexo",mas de que sexo ela está falando na maioria das vezes? do sexo pornográfico,feito sempre com a finalidade de satisfazer o homem. E os corpos esculpidos,siliconados e super expostos das dançarinas que só estão ali pra agradar aos homens e aprisionar mulheres em um padrão inatingivel?E as ameaças as mulheres que traem?a incitação de violência entre amante e fiel?e a incitação ao sexo com menores,"as novinhas"?E as ameaças veladas de estupro?e as próprias mulheres cantando que gostam de "otário pra bancar"e sexo que "machuca"? Tudo isto está presente no funk em proporção muito maior do que "quero gozar",funk continua sendo,com raras exceções,propagação de misoginia.Acho que ainda falta muito pra termos alguma manifestação cultural minimamente identificada ao feminismo.

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    1. Esse post é sobre o funk feminino da Valesca, não sobre o funk em geral.

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    2. eu gostava da época do "rap do silva", "rap da felicidade", "rap do festival". mas acredito que essa linha do funk sensual possa produzir algo bom também, se deixarem o machismo de lado (no momento só posso citar UMA música da valesca que cumpra esse requisito)

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  30. Concordo. Mesmo se falarmos sobre o funk feminino da Valesca, não podemos desconsiderar sua atividade de um modo geral. Devemos separar o joio do trigo. Se dentre as declarações dela houve incômodos feministas, ótimo, mas não podemos dizer o mesmo de seu trabalho.
    Imagine se, de repente, Jair Bolsonaro fizer alguma declaração A favor do público LGBT? E mantivesse a postura de sempre? Grande cinismo me pareceria. Porque não é assim com a Valesca? Condescendência com os pobres? Aliás, que pobre nada. Valesca ta morando na Barra, tirando férias na Flórida. O que é ótimo, mas nos diz o seguinte: ela ERA pobre. Não é mais.

    Pode parecer muito legal que Valesca esteja servindo de porta voz da moçada das classes baixas, mas não considero isso o suficiente para o feminismo, se não houver consciência política. Que representação é essa? Leva em consideração a consciência de gênero? Se essa voz é a velha resposta às declarações dos cantores de funk (aquelas misóginas), que alimentam a cada dia mais o desacordo entre homens e mulheres, não vejo nada de inovador ou feminista. Aliás, ela é quem devia se declarar feminista, e fazer valer essa declaração sendo o caso.

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    1. A Valesca tem uma certa consciência política sim, pode até ser que ela seja diferente da nossa, afinal, muitos de nós que comentamos em blogs temos uma visão do feminismo bem acadêmica, né? Mas a Valesca tenta ser o mais inclusiva possível com o público LGBT*, ela fez um ensaio usando frases que tem um conteúdo feminista...

      Enfim, há músicas da Valesca que tem um conteúdo machista, mas olha, nós somos todas frutos de uma sociedade machista e muitas vezes reproduzimos esses valores e se a Valesca o faz, pronto, já se fala que ela não tem consciência do poder do discurso dela? Seilá, pensei naquele twitter da polícia feminista, auehaueheuahuaheueh. E a gente também tem que pensar que mesmo que o discurso dela tenha "falhas", (afinal, ela é humana) ela é uma mulher que canta falando sobre sexo num meio dominado por homens. E ela fala de sexo, assunto tabu entre as mulheres. Ela é uma voz que é vista como a que dá "respostas" pras músicas machistas e misóginas.

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  31. Bom, mas que ela vive da imagem do corpo, vive. Por mais que transe com quem quiser e se quiser, é uma mulher-objeto, sim, tanto quanto as que tiram a roupa na Playboy ou as Panicats. E as músicas do Mr. Catra são machistas, pelo que me parece... "Dar" é uma palavra machista! Naquela música "Minha buceta é o poder", ela fala claramente em usar seu "poder" pra conseguir dinheiro e ser SUSTENTADA por um homem. É feminismo, né? Então tá, então tá bom.

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  32. Em primeiro lugar: “liberdade” não é uma coisa que é concedida. Liberdade é inerente a cada um, e cada um lida com ela de uma forma toda própria. Não fosse assim, Lou Salomé não teria sido o que foi, não teria se relacionado com quem bem entendeu, e da forma como bem entendeu, e não teria exercido atividades em sua época exclusivamente masculinas, muito antes do feminismo. Ninguém precisou “conceder” liberdade à Lou Salomé. Ela a tinha, naturalmente, e a usou muuito bem.

    Em segundo lugar: não é preciso “luta” alguma pra viver a própria sexualidade, a não ser a luta com os próprios preconceitos. E essa luta não se dá no meio da rua ou em um palco, com uma plateia. Essa “luta” é interna. Se dá na cama, dentro de um quarto. É aí que se pode viver intensamente a própria sexualidade e mulheres verdadeiramente adultas sabem que isso se faz para gozar e não para mostrar aos outros.

    E aí vai um terceiro equívoco: o fato de Valesca cantar músicas que usam palavras cruas pra falar de sexo não tem absolutamente nada a ver com Valesca ter uma vida sexual ativa. Um número enorme de mulheres que se mostram extremamente sexuadas, através de roupas, posturas e vocabulário, são, na verdade, frígidas. Em questão de sexo, quem mais precisa mostrar é quem menos vive de verdade. Eu não ficaria nada surpresa se soubesse que Valéria nunca teve um orgasmo, porque o que ela está fazendo nada tem a ver com a própria sexualidade.

    Quanto à linguagem: é inegável o poder que a linguagem tem. Não há a menor dúvida quanto a isso. Quem sabe usar a linguagem, sabe usá-la da forma exata para atingir os objetivos pretendidos. Quando escrevemos temos em mente o público que queremos atingir. Pornografia pode ser muito bacana, se bem escrita. Porque o que não dá pra abrir mão é da qualidade do texto. Ler pornografia escrita por um mau escritor é tão desprazeroso quanto ver a Valéria cantando uma música ruim. De mais a mais, ser a pornografia algo para ser consumido na intimidade dá à pornografia um caráter muito mais interessante. Se todos sairmos por aí usando, em qualquer ambiente, independentemente da situação, o vocabulário que Valéria usa, estaremos banalizando a pornografia. Quando todos conversarmos tranquilamente falando de cú, buceta, pau, caralho, e tudo o mais, precisaremos inventar outras palavras para designar tais coisas, porque as palavras, desgastadas pelo uso constante, perderão justamente o impactante, que provoca em nós uma reação interna que é exatamente a reação que desejamos ter quando as usamos ou consumimos. O uso inapropriado desgasta os vocábulos e acabaria prestando um desserviço à própria pornografia. E é isso que as meninas do Ativismo de Sofá chama de “necessidade de sutileza”. Há, sim, uma necessidade de sutileza no dia-a-dia, até mesmo para que haja alguma graça quando nos despojarmos dessa sutileza, em situações específicas.

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    1. Só uma coisa, você usar o exemplo da Lou Salomé é uma forma de culpar/condenar todas as mulheres que não se sentem livres pra exercer sua sexualidade ainda hoje?

      Lou Salomé e várias outras mulheres são exceções. Há meninas/mulheres que são expulsas de casa por não serem mais virgens, que são humilhadas pelos pais por terem feito sexo na sala de aula, pelos colegas, pelos familiares, até mesmo pelos professores. Nós mulheres somos criadas para viverem passivas, cedendo sexo ao homem e tendo nosso desejo (e poder de voz) completamente invisibilizado. Mas isso é culpa das mulheres que não tem "naturalmente" a liberdade suficiente pra enfrentar isso? Claro que não.

      Nós estamos inseridxs numa cultura machista que desvaloriza a mulher que faz sexo, mas não é culpa da cultura machista, né? Não é culpa do moralismo em excesso, é culpa das mulheres que não são livres "naturalmente".

      E sim, é necessário luta pra viver a própria sexualidade, porque nossa sociedade condena a mulher que faz sexo, condena a mulher que não faz sexo quando o cara quer, condena gays, lésbicas, bissexuais e pansexuais. Estamos super livres para amar e transar com quem quisermos, né?

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  33. Continuando...
    Essa “elite” a que as meninas se referem, dizendo que usa álcool em gel, muito provavelmente transa exatamente como transam as pessoas que usam vocabulário chulo rotineiramente. Apenas tem mais educação e refinamento e sabe usar as palavras certas no momento certo.

    Quanto aos Mamonas Assassinas, na minha opinião também eram uma porcaria. Uma porcaria que fez muito sucesso, como é pra lá de normal em nossa sociedade. A diferença entre o Mamonas e Valéria é que o objetivo deles, além de ganhar dinheiro, era fazer graça, o que não é o caso dela.

    E quanto à Valesca ser feminista ou não, isso não vem muito ao caso. Se for, ela está apenas colocando mais um ingrediente no caldo de besteiras que as feministas já fizeram. É inegável que o feminismo nos trouxe muitas coisas boas e proporcionou muitos avanços, mas também é inegável que em nome dele muita mulher equivocada fez muita besteira.
    Por fim, quero esclarecer que eu jamais gastaria neurônios filosóficos comentando um vídeo da Valesca Popozuda por iniciativa própria, mesmo porque eu nem a conhecia. Mas fiz questão de comentar, porque estou vendo que há gente pensante, comentando, como se fosse algo que valesse isso.

    Na minha opinião, o vídeo da Valesca nada mais é do que uma putaria, no sentido exato da palavra: ela está vendendo sexo, só isso. O que se faz desde que o mundo é mundo. Não há novidade nisso. Ela faz algo impactante para obter visibilidade e ganhar algum dinheirinho. Não consigo mesmo crer que há na atitude de Valesca qualquer intenção libertadora ou qualquer tentativa de revolucionar a ordem estabelecida. Ela quer ganhar dinheiro, e o faz da forma como sabe e com os recursos que tem. Um objetivo absolutamente capitalista.

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    1. Olha. Eu juro que faria algum esforço para te responder mas fiscais de neurônios alheios merecem de mim tanta consideração quanto os fiscais de fiofó que existem aos montes por todo esse mundo: nenhuma.

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    2. "Neurônios filosóficos".

      HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHA

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    3. Essas pessoas pseudo-intelectuais me divertem. O mais legal é que ela tentou destilar toda a "inteligência" dela e só o que conseguiu foi demonstrar o quanto é alienada.

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  34. Vocês vão me desculpar, mas quem escreve tem que se sustentar. Escrever e depois querer desrespeitar quem escreveu contra o que vocês escreveram é um tremendo amadorismo. Insinuaram que as pessoas são burras, que não entenderam nada, disseram que o rapaz tem idade mental de 12 anos... Realmente, como comentou o "anônimo": tentar ridicularizar os comentadores não é argumento. E, se eu sou alienada, Natália, como autora do texto, tenha a dignidade de comentar decentemente meu comentário pra que eu possa te levar a sério. Quem sabe, com bons argumentos, me convença. Porque até agora não há como. Ou fica muito fácil concluir que o objetivo de vocês é exatamente o mesmo da Valesca: aparecer, sem se importar se é com apelação ou não. Em tempo: vocês é que não devem ter entendido nada. Porque a Valesca, pelos comentários que li aqui, deve ser a pior da pior das machistas.

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    1. Opa, tudo bem? Então, a gente aceita sim comentários contrários e até discute. Mas para que isso ocorra é preciso que o comentário seja bom. Vide a argumentação da Kelly, que foi excelente e ninguém teve preguiça dela. E a gente não podia ligar menos praquilo que você acha que é ou não argumento. Passe bem.

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    2. Queria saber em que momento te fiz pensar que era importante para mim que você me levasse a sério. Não estou nada interessada em te convencer de alguma coisa, não sou professora de ninguém. Você tem plena capacidade de entender as coisas sozinha já que tem "neurônios filosóficos" (ahaha sério, ainda não saquei o que diabos é isso).
      Vou te dizer o motivo de que nem eu e nem ninguém aqui vai discutir com você: porque nós temos preguiça de gente como você. Gente igual a você aparece para a gente às pencas todos os dias e nem todas valem a pena. Simples assim. Agora, vá viver a sua vida e deixe de comentar em coisas que você supostamente não acha que são importantes (embora se dê ao trabalho de comentar, responder, ler, responder, ler, responder ad infinitum).

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    3. Aliás, esse povo está se achando importante demais, hein? "Me convença". HAHAHAHA na boa, gente, menos.

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    4. hahahahahaha né? Também acho isso hilário :D

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  35. Oi, eu gosto muito de ler os textos de vocês, tem muita coisa q eu nem teria me dado conta de por que me incomodava mas lendo aqui eu esto começando a perceber mais as coisas.
    Mas eu sou uma pessoa que não lida bem com sexo, eu tenho vergonha. Eu nunca falo um nome para a vagina que não seja vagina, por me sinto mal.
    Eu não sei até que ponto isso sou eu, ou se fui condicionada assim.
    Eu não acho atrevimento uma mulher falar que faz sexo ou coisa assim, eu admiro que consegue, mas eu não tenho esse desprendimento.
    Acho que pra pessoas comuns é mais dificil mesmo ver aonde essas musicas entram pra te mostrar uma imagem mais libertária ou se são só exposisção do corpo da mulher que é uma coisa q ja cansou...

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  36. Olá gente! Cheguei até aqui por pura fatalidade de um clique (vi o post no perfil de alguém no face) e fiquei para ler tudinho por conta do meu querido amigo que me cantou uma bola dessas outro dia, como "o funk da Valesca está trazendo a liberalização da mulher, mesmo que por vias tortas!"... tadinho! hehe! Muitos caem de pau nele, inclusive eu em desacordo por um monte de razões, algumas apresentadas aqui, outras não. Li comentários interessantes e que me acrescentaram pulga atrás da orelha, apenas lamento do tom de deboche dos participantes em não respeitar a opinião de quem quer que seja, mesmo o debochado, pq se estamos a tratar de liberdade, como não permiti-la mesmo que nos desagrade? Também, em alguns pontos, achei pessoas pouco tolerantes, mas, gostaria de trazer um ponto de vista apenas: imagem, produto e mídia! Sou gestora de mkt e uma das máximas do mkt é justamente essa, criar a necessidade de um produto nos clientes em potencial, de tal forma que estes não consigam se imaginar sem o consumo de tal produto. Pois bem: lendo vcs aqui e meditando sobre o produto Valesca Popozuda, digo, que este é apenas isso, um produto que vende uma ideia, que é produzida para entrar num nicho de mercado, no caso aqui da funkeira, talvez sejas mulheres que querem se liberar sexualmente (talvez as que são insatisfeitas com o machismo da sociedade, talvez as feministas, talvez as pervertidas...), mas, Valesca é um produto apenas! Como identificado, é seu empresário quem compõe as letras, naturalmente há uma assessoria para a "imagem" da funkeira, o que veste, onde vai, o cuidado dos shows, etc. Apenas isso! A Valesca Reis Santos, mulher "por trás do mito Valesca" é uma pessoa que encontrou uma personagem para ganhar dinheiro, que é revestido em grande parte para se "embelezar" (conceito dela, evidente)e ganhar à mídia mantendo-se em evidência o quanto mais puder, tentando fazer com que o produto Valesca Popozuda não tenha o seu ciclo de vida do produto aceleradamente entrando em declínio (o imponderável será a idade aqui). Não entendo como sendo um mito para a liberalização da mulher! "Vem mamar" será até o produto ter de mudar e se adaptar a outro nicho no mercado, quando este "vem mamar" estiver obsoleto e velho. Pode ser mesmo que daqui a uns anos seja algum louvor evangélico mesmo, a tendência é forte! No início de sua carreira, Valesca Reis Santos, antes da Gaiola das Popozudas, era "atriz" pornô e fazia programas na Zona Sul do Rio, como muitas garotas que "precisam/repetem/se dobram/acham o único caminho válido" render-se à prostituição para ganhar o velho e "bom" capital. Afinal, como apontou alguém também aqui, liberação da mulher passa somente por isso, transar o quanto quiser e com quem quiser? Creio ser o menos importante, sinceramente! Porque já se transa com quem quer e onde se quer, ao menos a mulher consciente! O que creio mais importante é a mulher ter seu papel na sociedade em pé de igualdade de valor de fato com o homem, no mercado de trabalho, nas oportunidades, na "mais-valia", o respeito na família, na hora em que não quer família, na hora de ser independente arcando com toda a carga que a independência trás, etc... o mamar meu clitóris é tão o menor caso, que me assusta como se dá tanta importância para isso! E, de fato, "ter o cu piscando" porque o cara tem dinheiro, é uma escória, sinceramente! Mas talvez o pior mesmo seja ver meninas querendo e fazendo de tudo para ter o corpo, o cabelo, os olhos da musa Valesca, até se prostituindo! Onde aceitar a mulher de todos os padrões? Nisso a tal musa da liberação não está ajudando mesmo, nem a Tatti, pq loco retirou costelas do corpo para parecer mais magra e fez lipo aqui, lipo ali... aceitar a mulher como ela é na mídia e no mundo do mkt é que não será! Abraços! Sou Mirna Marino Duarte, tenho 41 anos, moro em Petrópolis-RJ Estou no Facebook!

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  37. Fazer feminismo para feministas não é um avanço.

    Só fica a dica.

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  38. Eu posso estar sendo muito ingênua... mas quando alguém diz "pega no meu grelo e mama" eu já acho muito foda porque está relacionado ao desejo de ser chupada (sexo oral), o que é uma prática que até pouquíssimo tempo atrás era um puta tabu.

    Quem nunca ouviu um relato que envolvia duas pessoas na cama, sendo uma delas uma mulher que tinha VERGONHA de ser chupada?

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  39. Olha pessoal a discussão é boa, mas podemos citar a letra da música Todo Mundo Quer Amor, da banda Titãs que diz o seguinte:

    Todo mundo quer amor
    Todo mundo quer amor de verdade
    Uma pessoa boa quer amor
    Uma pessoa má quer amor,
    Quer amor de verdade
    Quem tem medo quer amor,
    Quem tem fome quer amor,
    Quem tem frio quer amor,
    Quem tem pinto saco boca bunda cu buceta quer amor
    Ele quer
    Ela quer
    Ele quer
    Ela quer
    Todo mundo quer amor de verdade


    Parabéns pelo nível da discussão, o texto é ótimo e induz a reflexão, mas devemos aprofundar ainda mais esse debate porque concordo que a Tati foi deixada de lado por ser "gorda, negra e favelada" ao contrário da loira sarada da tal Popozuda.

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  40. Olha pessoal a discussão é boa, mas podemos citar a letra da música Todo Mundo Quer Amor, da banda Titãs que diz o seguinte:

    Todo mundo quer amor
    Todo mundo quer amor de verdade
    Uma pessoa boa quer amor
    Uma pessoa má quer amor,
    Quer amor de verdade
    Quem tem medo quer amor,
    Quem tem fome quer amor,
    Quem tem frio quer amor,
    Quem tem pinto saco boca bunda cu buceta quer amor
    Ele quer
    Ela quer
    Ele quer
    Ela quer
    Todo mundo quer amor de verdade


    Parabéns pelo nível da discussão, o texto é ótimo e induz a reflexão, mas devemos aprofundar ainda mais esse debate porque concordo que a Tati foi deixada de lado por ser "gorda, negra e favelada" ao contrário da loira sarada da tal Popozuda.

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  41. A banda Titãs também já abordou essa questão usando a música Todo Mundo Quer Amor, a letra abaixo:


    Todo mundo quer amor
    Todo mundo quer amor de verdade
    Uma pessoa boa quer amor
    Uma pessoa má quer amor,
    Quer amor de verdade
    Quem tem medo quer amor,
    Quem tem fome quer amor,
    Quem tem frio quer amor,
    Quem tem pinto saco boca bunda cu buceta quer amor
    Ele quer
    Ela quer
    Ele quer
    Ela quer
    Todo mundo quer amor de verdade

    Quanto ao texto, ótimo, reflexivo e coerente com a discussão a que se propõe, mas infelizmente as músicas dessa Valeska Popozuda falam da mulher enquanto objeto de desejo e máquina de fazer dinheiro, nenhum linha de liberdade enquanto ser oprimido pelo machismo e pelo capital. Também acredito que a Popozuda foi escolhida porque é loira, saradona, tem mais visibilidade e aparece na mídia, ao contrário da "negra, gorda, feia e favelada" Tati Quebra Barraco.

    Parabéns pelo nível da discussão.

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  42. Não entendo uma coisa:
    quando o Mc Catra canta as mesmas coisas,ou até piores, ninguém fica apavorado, mas só pelo fato de ser mulher é o fim do mundo. Direitos iguais, em qualquer circunstância. Eu não gosto das músicas de nenhum deles, porém cada um faz o que está com vontade.

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  43. E há mais de 20 anos, em 1992, Madonna lançava o álbum "Erotica" e era apedrejada...
    Não evoluímos nada no julgamento da sexualidade feminina né?

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  44. O problema não é o que a Valesca canta, o problema é transforma-la na heroína que ela não é, forçando um valor que não tem.
    Ela explora tanto o sexo quanto o corpo feminino da maneira mais comercial e óbvia possível.Ela é a loira sarada e siliconada, isso já fala tudo. A Tati quebra barraco que tem muito mais personalidade, não teve a mesma exposição.
    Como bem disse a Kelly lá em cima que aliás, fez comentários irretocáveis.
    Os europeus em geral lidam com o corpo de uma maneira muito mais natural, sem essa supervalorização erótica que temos aqui. Uma pessoa nua é só uma pessoa nua: e eles ficam peladões aos montes em pleno rio sena tomando sol e ninguém acha um absurdo.
    Essas mesmas pessoas que estão se achando super prafrentex em falar escrachadamente de sexo, são as mesmas que achariam as performances de Marina Abramovic pesadas ou ainda chamariam as peças de José Celso de "pornográficas".
    Temos que libertar o sexo. Não reforçar seu rótulo comercial.

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    1. Concordo em parte com vc. Só uma coisa: o fato da Tati Quebra Barraco já estar na sua vigésima sexta cirurgia plástica é o quê? Atividade social ou tentativa de se aproximar de um padrão, o que carrega em si um forte apelo comercial? Eu confesso que sei bem pouco da Tati, agora falar que a Valesca não tem valor? Precisa mesmo dessa polaridade? Sim, eu acredito que temos que libertar o sexo, mas entendo também que a Valesca é sim feminista, aliás ela mesma deu declarações de que é feminista e não serei eu a querer retirar dela a carteirinha. E outra coisa: dizer que ela explora o corpo feminino de forma comercial e óbvia, pra mim, é reducionista e fruto de uma interpretação que não leva em consideração o contexto de onde ela veio e o público que ela tem.

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    2. sinal de classismo: essa supervalorização da europa

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    3. Pois é, né, se fosse na frondosa e exuberante Europa todo mundo ficaria chocadzzzzZZZZ

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  45. Concordo PLENAMENTE com o comentário da Isabelle. Aqui existe uma exploração sexual comercial da imagem da mulher e imposição de um padrão de beleza.Ela (Valeska) está presa numa energia inconsciente que é extremamente machista. Eu acho que é urgente uma cultura do feminino (com modelos femininos fortes e sólidos), onde temas como relacionamentos afetivos saudáveis, amizades, beleza na sociedade, evolução pessoal e individualidade sejam valorizados.

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