Essa semana mais uma propaganda da Marisa foi veiculada e pela terceira vez seguida, estamos diante de uma bela demonstração de preconceito. Só para variar, afinal isso quase nem acontece na publicidade, não é? O que realmente causa algum espanto é que uma empresa cujo slogan é "de mulher para mulher" seja machista. Aliás, já li algumas pessoas na rede satirizarem o slogan da Marisa: "De mulher para mulher, Machista". De fato, eu não poderia concordar mais. Vamos relembrar as campanhas que nos fizeram repudiar a marca, mas antes do almoço que é para não acabar botando tudo para fora, beleza?
Primeiro rolou aquela propaganda de lingerie super bacana (só que jamais), mostrando "estatísticas" sobre como está difícil conseguir homem na praça.
A premissa é: Mulheres (hetero, claro, porque para a Marisa, lésbicas não existem) passem a competir entre si por um belíssimo exemplar de macho viril. Para a Marisa, homem só vale à pena se seguir à risca aqueles velhos estereótipos de gênero. Homem não pode gostar de bichinhos, morar com os pais, ter medo de barata... enfim. O horror, o horror. Vê se pode, homem que é homem não faz esse tipo de coisa, não é? Ai, Marisa... Que belo desserviço você faz à todas as mulheres e aos homens sugerindo esses padrões de comportamento, que só oprimem à todxs. Aqui podemos ver uma ótima palestra de Tony Porter sobre como a sociedade cria os meninos para odiar mulheres e sobre como colocamos em todos, inclusive nos homens, as algemas do patriarcado.
Antes fosse só isso... mas não foi! Começaram as críticas a essa propaganda nas redes e a agência que cometeu essa atrocidade resolveu ATACAR as consumidoras. Sim, queridos. Veja o print com seus próprios olhinhos nesse post. A rede Marisa, em sua página no Facebook, dizia ouvir as reclamações e agradecia as críticas, mas nada foi feito, a propaganda continuou sendo exibida e a agência seguiu cometendo erros inacreditáveis nas campanhas da Marisa. Porém, não vou crucificar a agência, uma vez que é o cliente que tem a palavra final.
Pouco tempo depois, tivemos outra ótima surpresa. A Marisa achou que seria uma excelente idéia inverter os papéis de gênero, botando mulheres para assediar homens. OPA, assediar, não! Elogiar!
Para a Marisa, assédio de rua é elogio. Veja, sabe quando um homem desconhecido aborda você na rua te chamando de gostosa, dizendo o que faria com você na cama, objetificando, desrespeitando? Pois bem, isso tudo é um grande elogio, aparentemente deveríamos ser submissas e agradecer. Mano, que ano é hoje? Marisa, acho que está faltando uma informação: os anos 50 já se foram há uns 60 anos!
Agora, na campanha mais recente, que tal uma boa dose de gordofobia? Propaganda meramente machista é coisa do passado, a onda agora é estimular um transtorno alimentar. Sim, porque no verão só as magras são felizes. Não venham usar o argumento "saúde" por favor, porque NADA nesse comercial indica que o motivo da dieta da moça seja esse. Especialmente pelo final da propaganda quando a macharada toda olha para a mulher como se ela fosse um pedaço de carne.
Me desculpe se não elogio a grande criatividade dessa propaganda, mas é que o R7 já fez coisa bem similar há pouquíssimo tempo, com a manchete "elas não estão preparadas para o verão". Essa idéia não é exatamente original, entende? Todo mundo já se cansou de ouvir essa babaquice. Inclusive recomendo fortemente a página de humor do Facebook que satiriza essa notícia, a "Projeto Verão 2013".
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| Imagem da página "Projeto Verão" no Facebook |
São tantos os problemas dessa propaganda que fica difícil começar a listar. Primeiro, a perpetuação de um padrão de beleza gordofóbico. Magreza não é sinônimo de saúde, assim como obesidade não é sinônimo de doença. Algumas pesquisas bem recentes apontam que o obeso ativo é uma pessoa saudável. Pior ainda, atrelar a felicidade à manutenção da magreza. GENTE.
Depois, a própria idéia de que comer alimentos saudáveis é um sacrifício é contraproducente no sentido de garantir qualidade de alimentação, pois somos sempre estimulados a comer fora de hora, alimentos industrializados, altamente calóricos, fast food e etc.
E por fim, aquilo que me parece ser o mais grave de tudo: Retirar de nós o direito de ir e vir livremente. Como se o fato de não estar perfeitamente dentro de um padrão de beleza racista e gordofóbico fosse determinante para que não exista o direito de utilizar o espaço público. E sabe porque isso é tão ruim? Porque tem muita gente por aí que realmente pensa assim, a Carol Marques pontuou muito bem:
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| Lugar onde eram preparadas as refeições para funcionários de oficina de confecção da Marisa |
Já comprei roupas na Marisa e acho que a qualidade é bem abaixo da média. Além disso, não sei se todos estão a par, mas a empresa já foi denunciada por ligação com o trabalho análogo ao trabalho escravo (com indícios de tráfico de pessoas) em algumas de suas oficinas de produção. Ao menos é o que informa essa notícia aqui. Foi realizado um acordo em 2007, chamado TAC, Termo de Ajustamento de Conduta. Contudo, recentemente, doída pelo dano que fez à própria imagem, a Marisa recebeu uma punição pela contestação que fez sobre a legalidade da Lista suja do Ministério do Trabalho . Falando muito claramente: A "lista suja" só prejudica o empregador. E é claro que no caso da Marisa, o empregador é uma grande rede de confecção. É quase uma carteirada, sabe? "Quem é o Ministério do Trabalho para decidir proceder de forma a prejudicar grandes empresas em prol de condições de trabalho justas para os funcionários?". Eu é que nunca mais vou de Marisa. Não quero nem de graça.
Então, recapitulando, machista, heteronormativa, gordofóbica e exploradora. O que mais está faltando, Marisa?





















