terça-feira, 17 de abril de 2012

"É só uma piada"

Piadas de estupro não são engraçadas.
Já há algum tempo tem causado polêmica a trupe daqueles que se autointitulam “politicamente incorretos” (nome que ainda busco compreender, já que qual é a novidade em ser politicamente incorreto? Não é assim que grande parte das pessoas sempre foram?) com suas belas piadas destinadas as mais diversas minorias políticas.

Mas não é deles que eu vim falar não. Esse povo que está realmente interessado em fazer piada para desmerecer, ridicularizar, menosprezar as pessoas não me interessa nem um pouco. Sigo achando que o lugar deles é na cadeia e ponto. Vim falar de gente mais perto da gente. De gente como um amigo seu, ou mesmo como você quando compartilha algo, fala algo, ri de algo na vida, nas redes sociais, enfim.

Também não pretendo ficar por muito tempo aqui repetindo sobre o poder do discurso. E, sim, a piada é um discurso. É um discurso com o objetivo de ironizar, brincar, despertar o interesse em rir do outro. Sendo assim, tem suas particularidades, já que o objetivo é diferente de um discurso como esse, deste texto, por exemplo, mas de qualquer forma não deixa de ser produtor ou reprodutor de conteúdo.

Portanto não é “só uma piada”. Não é por algo ter caráter de piada que o discurso utilizado ali não possa ser analisado de forma mais profunda. Não é por algo objetivar ser engraçado que está desprovido de contexto social, muito pelo contrário.

Mas voltando ao foco: E aí quando um grupo de pessoas se sente ofendido com determinada piada dizem apenas que não tem senso de humor, que não sabem aonde foram ofensivos e que “tem até amigos que são” (essa é ótima). O “direito de resposta” costuma demonstrar um lado mais obscuro da pessoa do que a própria piada em si.
Sim, meu querido, porque se todo um grupo de pessoas se sente ofendido com determinada piada feita por você, algo tá errado nisso daí. Uma dica: Se você em algum momento da vida foi chamadx de preconceituosx, provavelmente naquele momento era exatamente isso que você estava sendo.

 Quando existe resistência com relação a uma piada que você fez eu te digo: Em 80% dos casos o que acontece é que para aquela pessoa aquilo não é “só” nada. É real. Não é engraçado quando você é a pessoa que tem medo de andar na rua e ter seu corpo violado, não é engraçado quando você é o gay que já foi expulso de casa, não é engraçado quando você é o negro que já foi humilhantemente não apenas chamado, mas tratado como macaco, não é engraçado quando você é a transsexual que é chamada no masculino todos os dias. Para você pode ser super engraçado, porque não tem nada a ver com a sua realidade. Mas não é nada divertido quando é vivido na pele, dia-a-dia.



Portanto aqui vai um guia básico de etiqueta: Quando uma pessoa, ou um grupo de pessoas reclama por se sentir ofendida com uma piada sua, peça desculpas. É simples assim. Depois pergunte, tente pesquisar, analise porque daquilo. Mas a princípio, apenas desculpe-se. Porque, torno a repetir: Provavelmente você está realmente sendo ofensivo. E, bem, sinto te informar, mas contra-atacar com mais ofensas como “vocês não tem senso de humor”, “para, é só uma piada” não acrescenta nada em sua vida e só realça a ofensa anterior (além de comprovar sua ignorância).

Todos nós temos preconceitos enraizados. Entretanto, vai de cada um saber se quer evoluir ou se prefere continuar estagnado em u ma mentalidade retrógrada. Por vezes o próprio desconhecimento de causa é nosso erro e mudar isso é bem simples, basta se preocupar em ouvir o outro lado.

E para os que dizem que "é impossível fazer humor sem ofender" (what?) aqui, aqui, aqui, aqui e aqui estão cinco exemplos de coisas que me fazem rir muito de forma bem simples, sem precisar ofender nenhum grupo social. E para os ironia lovers recomendo fortemente este e este tumblrs.

48 comentários:

  1. Vou postar aqui um dos vídeos que eu acho mais fofos do universo e que me faz rir por ser tão fofo:

    http://www.youtube.com/watch?v=YVAIyiqF0pQ

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  2. E eu vou sugerir piadas "politicamente corretas" (ou não!) e hilárias.

    http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=E4yXL6l8Yns

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  3. Chaves é o melhor exemplo de que humor sem ofensa é algo GENIAL =D

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  4. Policamente correto ou incorreto, tanto faz.

    Piada deve ser engraçada, nada mais, e seu alcance acaba aí. Ou faz rir e atingiu seu objetivo, ou não faz rir e falhou.

    Tem gente que ri de histórinhas inocentes, com alguma situação de pastelão, outras com piadas mais pesadas. Nenhum tipo de humor vai alcançar a todos de uma só vez, nem os mais geniais humoristas conseguiram.

    O que eu acho mais problemático hoje em dia é que aparentemente estamos vivendo uma epidemia de melindre.

    Qualquer coisa é motivo para se sentir ofendido. Extrapola-se aquilo que foi dito para buscar significados ocultos. Idolatra-se o "vitimismo".

    Assim, vai se formando um exército de pessoas que não admitem qualquer contrariedade às suas convicções, tão reacionárias e autoritáias quanto àquelas pessoas que se quer combater por serem "politicamente incorretas".

    Uma piada, na maioria das vezes, é apenas uma piada.

    Não gosta do tipo de humor de uma pessoa ou de um programa de TV, evite-os, ninguém é obrigado a permanecer perto de alguém ou ver algum programa de TV.

    É o simples exercício do respeito ao direito de manifestação de pensamento.

    Abçs!

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    1. Ou você não leu o texto ou simplesmente resolveu ignorar tudo o que eu pontuei acima. Mas tudo bem, eu repito.

      Meu querido, uma piada nunca será apenas uma piada. É claro que o objetivo é fazer rir. Mas mesmo assim ela é um discurso. Para rir de algo você deve entender aquilo, logo há de ter verossimilhança. Não tem como uma piada existir desligada de um contexto. Deu para entender?

      A piada é sim uma construção social, um discurso, e deve ser compreendida como tal.

      E quanto ao "vitimismo" e não admitir contrariedades, isso está bem claro no parágrafo em que falo a respeito da realidade de alguns. É só uma piada porque não é com você.

      Nos olhos dos outros é refresco né?

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    2. Eu li o texto sim, com bastante atenção. Achei-o muito bem escrito, mas realmente não concordo com a linha de argumentação.

      Piadas, ironias e galhofas fazem parte de todas as culturas e, como vc mesma coloca, não costuma ser um exercício de afago ao sujeito ou classe objeto da anedota.

      Concordo quando vc fala que o humor é uma forma de discurso, mas creio que ele se alimenta do contexto social, mas não o cria, e aí reside sua inocência (por falta de palavra melhor).

      Levar-se muito a sério já é algo não saudável. Levar piadas a sério, muito pior, e o prejudicado é apenas quem dá mais valor a uma brincadeira do que ela merece.

      Beijo!

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    3. Bom, se você não acredita na Paula, talvez acredite na ciência. Já existem estudos que comprovam que o discurso contido nas piadas influenciam SIM para perpetuar preconceitos. Vou pegar emprestado a tradução da Liga Humanista Secular do Brasil:

      O humor "politicamente incorreto" ajuda na continuidade do preconceito? SIM, e isso foi evidenciado na tese de doutorado de Shane Rydell Triplett, da Western Carolina University (WCU).

      Resumo:

      "Pesquisas têm mostrado que o humor sexista permite a homens expressar sexismo substituindo normas não-sexistas numa situação com uma norma de tolerância à discriminação por sexo. Nosso estudo estende esses achados testando a hipótese de que o humor depreciativo favorece a "liberação" de preconceito apenas contra os grupos para os quais as atitudes da sociedade são ambivalentes e portanto para os quais a expressão do perconceito depende de regras sociais imediatas para justificar-se (p.ex., mulheres e homossexuais). A expressão de preconceito contra grupos como os racistas é socialmente aceitável e não deve ser dependente de eventos como o humor depreciativo para se justificar. Consequentemente, o humor depreciativo deve ter pouco efeito na liberação de preconceito contra eles (os racistas). 164 participantes completaram mensurações de preconceito contra homossexuais e racistas. Os participantes leram quatro piadas depreciativas contra homossexuais, ou contra racistas, ou que contivessem nenhum conteúdo depreciativo. Em seguida, os participantes alocaram cortes de verbas para quatro organizações estudantis, incluindo uma que apoiasse agenda racista ou agenda homossexual. Os resultados apoiaram nossa hipótese. O preconceito contra homossexuais predisse a quantidade de dinheiro que os participantes cortavam para a organização homossexual em relação a outras, sob exposição de piadas anti-homossexuais mas não sob piadas neutras ou anti-racistas. Em contraste, atitudes contra racistas não predisseram diferencialmente cortes de verbas alocados à organização racista sob exposição a piadas anti-racismo, neutras ou anti-homossexuais."

      Aqui o original:
      http://libres.uncg.edu/ir/wcu/listing.aspx?id=8070

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    4. Bem, parece-me muito questionável as conclusões da pesquisa, considerando a metodologia.

      Mas, supondo que ela esteja correta, então só piadas contra gays deveriam ser proibidas, as outras estariam liberadas!?

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    5. Obviamente não foi isso que foi dito. Foram feitas três tipos de piadas: Uma sobre um grupo oprimido (homossexual), a piada neutra, e a piada sobre um grupo opressor (racista). A hipótese levantada é que no primeiro caso, haveria menor alocação de recursos para as instituições na aplicação do primeiro caso (da piada homofóbica), já nos outros dois casos (da piada neutra e da piada contra o opressor), não haveria influência de preconceito sobre a avaliação dos participantes. E foi exatamente o que aconteceu.

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    6. Lucas Alcardi, a piada em si não é a causa de todo o preconceito existente na sociedade. A piada reafirma todo o preconceito existente, ela exterioriza os preconceitos, a piada mostra os valores atuais da sociedade. E quando você reafirma os preconceitos, você contribui para que eles continuem existindo. É um raciocínio simples.

      Se nós vivemos numa sociedade machista e misógina, onde em cada 100 assassinatos de mulheres, 70 acontecem dentro do ambiente doméstico. Onde a mulher vítima de estupro ainda é considerada culpada pelo que o ocorreu com ela. Onde a mulher ainda ganha menos que o homem fazendo a mesma tarefa. Onde a mulher tem seu comportamento sexual julgado e etc. Quando piadas como a do Blog Testosterona são compartilhadas, há uma reafirmação de todos essa cultura de dominação masculina. A piada propaga um pensamento já existente na cultura, mas de uma forma "sem culpa", "é só uma brincadeira", a propagação desse tipo de pensamento só contribui para a desvalorização das mulheres, uma piada que diz "gosto de mulher, até que ela comece a falar" tem um discurso machista que atinge todo mundo, a piada que diz que lugar de mulher é na cozinha propaga que a mulher pertence ao ambiente doméstico. Piadas ofensivas reafirmam discursos e isso contribui pra manutenção de uma cultura de preconceito. Entendeu agora?

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    7. Gizelli,

      Conforme vc mesma interpretou, a pesquisa “comprova” que piadas contra gays influenciam a decisão das pessoas IMEDIATAMENTE após serem ouvidas, enquanto que piadas com temática racial ou neutras não têm essa influência. Se for só isso realmente, não agrega muito ao debate.

      Thaís,

      Eu realmente entendo o que vcs defendem, mas acredito que fazer disso um campo de batalha é superestimar o alcance que o humor tem, dando a ele uma dimensão que na maioria das vezes não é pretendida por quem conta uma piada e, tampouco, percebida por quem despretensiosamente ouve e ri (ou não ri).

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    8. Lucas Alcardi, o humor tem maior alcance que um texto acadêmico que mostra a situação das mulheres no Brasil, por exemplo, né? Sendo assim, uma pessoa que só ouve essas piadas ofensivas de mulheres e não conhece a realidade delas, acha que a luta contra a opressão é uma luta datada, por exemplo. Por isso é importante criticar o humor e refletir sobre ele.

      E acho que a Paula deixou bem claro no texto que rir de uma piada ofensiva ou fazer uma brincadeira que ofende é algo que pode acontecer com qualquer um, porque os preconceitos estão enraizados em todos nós. Sendo assim, acho que o maior objetivo de criticar o humor que abusa desse tipo de ofensa é tentar fazer as pessoas refletirem os próprios preconceitos, sabe?

      E refletir os próprios preconceitos é perceber que aquilo pode ser ofensivo para um grupo social vulnerável, por exemplo. É pedir desculpas pra quem pessoalmente se sentiu ofendido e etc.

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    9. O que eu não entendo é essa dificuldade tão grande em rever seus preconceitos e tentar não ofender as pessoas. É tão foda assim?

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    10. Eu acho que agrega ao debate SIM. Porque o que está sendo defendido na tese é que piadas contra grupos oprimidos influenciam diretamente na expressão de preconceito do interlocutor. E o que acho que você está confundindo é a questão da piada "racial". Quando a piada citada no estudo é ANTI-Racista, ou seja, ela atinge grupos racistas o que é absolutamente diferente.

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  5. Chaves é TOTALMENTE politicamente incorreto. Tem agressões, zombarias, preconceitos de todos os tipos. Acho muito difícil fazer um humor "politicamente correto", pra não dizer impossível. Rir é sempre o melhor remédio, não devemos levar a sério piadas.

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    1. Obrigado Rafael. Poupou-me bastante os dedos de não ter que explicar as piadas do Chaves.

      Politicamente correto? Humor "bonzinho"? Humor "do bem"? Nem na turma da Mônica tem isso.

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  6. Engraçado é ver a galera se remoendo porque o modus operandi deles tá sendo questionado. Deve ter sido assim quando os ancestrais dessas pessoas achavam a maior graça de anúncios do tipo: http://cdn.ultraswank.net/uploads/a-women-can-open-it.jpg e hoje não têm espaço mais. Adoro :D

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  7. As pessoas que dizem não levar o humor a sério me parecem extremamente ingênuas. É surpreendente que alguém não perceba que o humor, as piadas, resumem os valores de uma sociedade e tem uma função que vai além de apenas causar riso: a de nos ensinar certas coisas. Subestimar o humor é algo próprio de quem não pensa, pois ele é uma forma de se dizer algo incisivamente e, ao contrário do que essas pessoas ingênuas acham, é extremamente crítico. O humor é uma ferramenta de linguagem muito poderosa e, assim, deve ser levado a sério. Humor NÃO É apenas entretenimento.

    Dizer que o "vitimismo" é idolatrado (vitimismo?? wtf?), ainda mais no BRASIL, você vai me desculpar, mas isso é uma verdadeira palhaçada. Típico de quem não consegue enxergar a sociedade na qual vive com olhos críticos, que não consegue ver nada além do seu mundinho. O humor daqui é próprio de uma sociedade que nunca quis entrar em choque com a sua elite, na qual a piada considerada engraçada se resume no ato de chutar cachorro morto. A elite é quem ri. Homens brancos, de classe média, são as pessoas que tem o direito de rir aqui. E ai de quem protestar. É acusado de estar fazendo "vitimismo". O humor aqui, principalmente o desse naipe, é o clássico "riso entre pares". Pessoas iguais rindo das que são diferentes e consideradas "inferiores" por elas, que ditam as regras da sociedade.

    Confesso que muitas vezes invejo a inocência de vocês - se é que é inocência de verdade. "Uma piada é só uma piada". Então por que será que essas piadas são sempre sobre as mesmas coisas? Por que cada povo, cada sociedade, possui um certo "tópos", um leque de assuntos sobre os quais se faz piada - e dificilmente se foge daquilo? O que foge normalmente é o humor mais inteligente.
    Falar em "vitimismo" foi a verdadeira piada por aqui, meu caro, isso sim. Faça-me o favor.

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  8. vou sugerir Charlie entao =D
    http://www.youtube.com/watch?v=Q5im0Ssyyus

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  9. Por trás de um brincadeira ou de uma mentirinha leve sempre tem o fundo verdadeiro !
    Algumas pessoas vão ver este fundo e outras não ... Cabe a consciência do autor fazer as pessoas rirem ou as pessoas ficarem tristes por uma historinha falsa porém com um fundo verdadeiro aparente .
    Vai da opinião de cada um pedir desculpas ou deixar só por isso, as vezes as brincadeiras e piadinhas não são feitas por mal, e as vezes são ...

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  10. Ninguém gosta quando riem de você, da sua posiÇão, principalmente quando você não escolheu estar naquela posição... (ex: ser mulher)

    Chamar o negro de macaco é engraçadíssimo se você não é o negro...
    Chamar o deficiente mental de retardado é engraçadíssimo se você não é o deficiente ou sua família...

    E se é ok falar que o lugar da mulher é na cozinha (se é uma piada), também vai ser ok a hora que nem for tanta piada assim, e também vai ser ok um cara falar isso sério (mas, se ele falar em tom de deboche, tudo bem). Tem que ser muito tonto pra não enxergar isso e/ou apoiar isso.

    "Ah mas aí eu não vou poder mais fazer piada de nada!" Claro que vai, meu filho. Mas vai ter que ser piada inteligente. Vc vai ter que pensar pra fazer uma piada boa. Se tá com preguicinha de pensar, vai fazer outra coisa da vida...

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  11. "Uma dica: Se você em algum momento da vida foi chamadx de preconceituosx, provavelmente naquele momento era exatamente isso que você estava sendo." Outra dica. Precisa estudar mais, inclusive semântica. Se você realmente sabe de minorias, devia saber que se você é chamado de "algo", não provavelmente você é da forma como te definem, isso vale para todos. Que dificuldade de se raciocinar, impressionante.

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    1. Eu tenho dificuldade de raciocinar como chamar um negro de macaco se relaciona com chegar e falar com alguém que fez uma "piada" escrota que aquela piada é ofensiva e preconceituosa.

      Rafinha Bastos fez a seguinte "piada":
      "Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia... Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade. Homem que fez isso não merece cadeia, merece um abraço."

      Eu, como mulher que teme ser estuprada quando saio de casa, que já quase foi estuprada, que já foi apalpada na rua sem querer, que foi assediada, assim como a maior parte das mulheres, me sinto muito ofendida com essa piada. Imagine as mulheres que já foram estupradas. Eu e outras mulheres "avisamos" que essa piada é misógina, que essa piada ofende a mim e a outras mulheres.

      A gente tá chamando o Rafinha Bastos de "algo", não tá? A gente tá chamando ele de misógino e machista.

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    2. Não é "algo" não. É exatamente preconceituosx. Misógino, machista, racista (como citaram aqui: gordofóbico), enfim. É esse exato conceito que não costuma ser usado em vão. Mas as pessoas tem uma dificuldade em acreditar nisso, né? É difícil admitir.

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  12. Esse assunto me lembra a frase:

    "I am patriarchy and I want you to smile while I oppress you. At least make it look like you're enjoying it."(@_patriarchy).

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  13. Concordo plenamente com o post. Pena que a gordofobia nem entre no debate. Como disse Léo Jaime em seu excelente texto (http://leojaime.blog.uol.com.br/arch2011-03-13_2011-03-19.html) "o preconceito cotra o gordo parece ser o único tolerado hoje em dia"

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    1. Anônimo, eu não sei se você conhecer o blog "Escreva, Lola, escreva" (http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br), mas se eu não me engano, há posts falando sobre gordofobia por lá. :)

      E nós pretendemos tratar do assunto. Principalmente a respeito do estigma da gorda, que por conta do machismo é ainda maior.

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    2. Falha minha anônimo. O tema entra muito nas nossas discussões, mas foi esquecido no texto. Peço desculpas, garanto que entrará no blog, viu.

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    3. Realmente, preconceitos contra gordos são tolerados mais da conta....pessoas que estejam fora do estereótipo de beleza também, viram pontos-de-referência (a rua tal? depois daquele gordo ou narigudo, você vira à esquerda) e tals. Recentemente uma mulher 'gorda' foi demitida de uma empresa por JUSTA CAUSA pq a empresa (aquela famosa que vende shakes emagrecedores carésimos) disse que físico dela depunha contra o produto da empresa; como se a empresa tivesse o direito de avançar assim sobre a vida privada do empregado.

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    4. O preconceito com o gordo e com quem está fora do padrão de beleza tem muito a ver com o machismo também, né?

      As mulheres são as que mais sofrem com as cobranças de adequação ao padrão de beleza. É claro que os homens e outras identidades também sofrem com isso, mas a pressão "para ter um corpo perfeito" para a mulher ainda é maior, porque o machismo valoriza a mulher apenas se ela for jovem e estar dentro dos padrões.

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    5. Sim, Thais. Gostaria que tivesse um botão 'curtir' abaixo do seu comentário.

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    6. Fatima, eu não sei se você deu uma olhadinha em outros textos do blog, mas eu escrevi um texto chamado "Start a revolution, stop hating your body" (http://ativismodesofa.blogspot.com.br/2012/03/start-revolution-stop-hate-your-body.html) que talvez possa te interessar.

      E eu vou te indicar também um tumblr bacana que passa a mesma mensagem: http://stophatingyourbody.tumblr.com/

      (:

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    7. também peço pra vocês falarem sobre gordofobia.

      Mari

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    8. Moro em Londres e esses dias estava no metrô, quando de repente entra um cara com uma camisa escrito NO FAT CHICKS. Num país em que o preconceito é totalmente ridicularizado (grazadeus!), em que os gays podem se beijar na rua e em que os casais interraciais batem recorde, a gente ainda vê esse tipo de coisa. Se fosse uma camiseta racista ou homofóbica alguém ia bater no cara. Mas com gordo é ok, todo mundo odeia gordo.

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  14. Ok, Paula. Seu argumento é ruim ao dizer que se alguém é chamado de preconceituoso, provavelmente é isso que ela é. Não basta ser estigmatizado para ser o estigma, entende?

    Se há uma geração de humoristas patéticos é outra história, não? E se alguém vê graça e acha uma beleza o tal do "politicamente incorreto", então não é o humor que cospe preconceito: quem ri disso que você conta já era um imbecil antes de ouvir a piada ou não?

    Outra: a piada que brinca com preconceito ou estigmas não é necessariamente ruim: bobagem. A piada que expõe costumes até as visceras pode, sim, ser boa. Monthy Phyton é o que me lembro agora; tem outras coisas.

    Outra: Certamente os católicos em algum momento se ofendiam com o Monthy Phyton, embora a intenção fosse criticar costumes.
    Outra: nossa sensibilidade é suscetível a estímulos, nem toda piada é necessariamente ofensiva.
    For se basear no lixo do lixo - modinhas de stand'ups... Noutro caso, se o humor usa do preconceito para mostrar como são grotescos os preconceituosos, a coisa também muda de figura... enfim, conheci o blog a pouco, lamento por te encher.

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    1. Por favor releia o texto. Sério.

      Você pode ver que eu citei os "politicamente incorretos" no começo do texto. O texto todo não é sobre eles, é sobre nós, no dia-a-dia.

      E na frase que você mesmo colou "Uma dica: Se você em algum momento da vida foi chamadx de preconceituosx, provavelmente naquele momento era exatamente isso que você estava sendo." Repito: NAQUELE MOMENTO ERA EXATAMENTE ISSO QUE VOCÊ ESTAVA SENDO. Eu não disse que a pessoa é uma preconceituosa, eu disse que ela pode ter feito algo que foi.

      O objetivo do texto todo é dizer que por vezes não percebemos nossos preconceitos e que eles podem sim existir e vez ou outra aparecer em forma de piada. Portanto, ao ouvir que tal coisa é preconceituosa com uma minoria política, essa é a hora de rever nossos conceitos e não de atacar mais ainda dizendo "é só uma piada!"

      E o resto todo do seu comentário é off-topic.

      Ficou claro?

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    2. Alexander, como a Paula disse, quando você faz uma piada ofensiva e alguém chega e fala "olha só, não gostei dessa piada, me ofendeu, achei preconceituosa", a pessoa provavelmente foi preconceituosa.

      Não quer dizer que a pessoa que fez essa piada ofensiva seja um monstro, nem nada do tipo, mas quer dizer que naquele momento ela foi preconceituosa e o ideal seria que ela repensasse o porquê da piada ter sido ofensiva e os preconceitos que aquela piada exterioriza.

      A Paula deixou claro que todos nós temos preconceitos enraizados, então todos nós somos passíveis de cometer um erro desses.

      E sobre humor: Wanda Sykes faz um humor interessante, ela fala da realidade lésbica, um tema difícil, um tema cheio de preconceitos, e usa o humor. Eu gosto. Alguns dos links que a Paula colocou no texto falam de coisas sérias, só que criticando o status quo e não reafirmando, é diferente, né?

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  15. Muito bom o texto. Não entendo essa resistência em 'pedir desculpas'....é assim tão difícil? Machuca tanto o ego? Pouco importa se sua intenção foi fazer rir e não ofender, se ofendeu, peça desculpas. Muitas vezes a gente pisa no pé de alguém ou esbarra num transeunte e, ainda que não tenhamos tido intenção de fazer qualquer dessas coisas, pedimos desculpas. Porque com piadas haveria de ser diferente?

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  16. amigo, quantas pessoas você conhece que tiverem sua propriedade destruída por um urso? quantas locutores são desrespeitados, despedidos, discriminados, desumanizados, assediados e mortos? a piada ali não é em um gato sendo atropelado, mas no uso da palavra ambígua "ele".

    em que te ofende o urso que dá tchau? sério mesmo, VOCÊ não achar graça não é o problema. o problema é que a tal piada esteja ofendendo alguém, independentemente de vc rir ou não.

    aqui vai outro exemplo: http://feminerds.blogspot.com.br/2012/07/agora-nao-se-pode-falar-mais-nada.html

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    1. "Pra falar a verdade eu tenho um amigo do texas que teve a casa inteira destruida por um urso, e não é por que VOCÊ acha graça nisso e não o conhece que a dor seja menor. Isso atinge as pessoas! E quanto ao gato do kiko, quando eu era criança meu gato morreu e no mesmo dia chego em casa e vejo o tal episódio do chavez, cheio de tiradinhas que me traumatizaram. Os barulhos produzidos por ele ao imitar o som do gato atropelado(prrrrrr) me lembravam o cadáver do meu bichano. Trauma irreparável."

      Dá pra continuar o "joão-sem-bracismo" para sempre. Quem quer se ofender dá um jeito. E essa coisa de "quantas pessoas você conhece que..." é perigosa hein. Você dá argumento para muitos homofóbicos, ou qualquer outro paralelo, falaram atrocidades sobre 'pessoas que não conhecem'.

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    2. Esse texto da Júlia está, excelente, Alice. Explica bem direitinho :)

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  17. Deixa eu adivinhar: Homem, branco e hétero?

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    1. Olha só que interessante. Como você não conseguiu adivinhar em qual minoria eu me enquadro, presumiu que é por isso que discordo do texto. Como é o nome disso mesmo? Opa, é preconceito! E olha que você nem está fazendo piada, está emitindo opnião mesmo.

      Óbvio que se me conhecesse pessoalmente entenderia quais são os tipos de piada cujo alvo sou eu. Ou você vai também dizer que, "como você nunca foi alvo de uma piada não sabe como é" etc e tal.

      Todos somos alvos de piada. Algumas pessoas escolhem parar de choramingar a respeito.

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    2. Claro, querer ter o direito de viver sem ser diariamente agredida de uma forma engraçada é choramingar. Meu bem, te falta empatia até pela minoria na qual você se enquadra, viu.

      Abrir os olhos e perceber que discursos são utilizados para perpetuar preconceitos - mesmo na forma de piada - é de graça e nem precisa se esforçar muito, um pouquinhozinho só de senso crítico basta.

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    3. Tá ai. Agora que você me explicou que eu não respeito a minoria da qual faço parte e que eu não tenho senso critico, tudo fez sentido. Por que veja, quem tem senso critico é você e não eu.

      O texto agora ganhou coerencia e deixou de ser hipócrita. Uhu.

      Graças a você agora entendo que toda vez que ouvir uma piada que me diz respeito, devo armar a carranca no cenho, pois isso demonstrará minha insatisfação e descontento. Nem preciso me esforçar muito pra isso!

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